Zelensky rejeita proposta alemã de adesão associada à UE e exige membro pleno
Presidente ucraniano considera 'injusto' o estatuto de associado sem direito a voto; Eslováquia levanta dúvidas e saída de Orbán reabre expectativas em Kiev.

A proposta do chanceler alemão Friedrich Merz de conceder à Ucrânia o estatuto de "membro associado" da União Europeia — com assento nas reuniões, mas sem direito a voto — foi recebida com uma rejeição frontal pelo presidente Volodymyr Zelensky. Numa carta enviada na noite de sexta-feira aos líderes europeus, a que a Reuters teve acesso, Zelensky classificou a ideia como "injusta", argumentando que seria "injusto" para a Ucrânia estar presente no bloco e permanecer "sem voz". A proposta de Merz, vista como um compromisso temporário enquanto Kiev não cumpre todos os critérios de adesão, gerou de imediato uma tensão diplomática que expõe as divisões dentro da UE sobre o alargamento a leste.
Na perspetiva de Kiev, a conjuntura é especialmente favorável para acelerar a integração plena. Zelensky sublinhou na missiva que a recente derrota eleitoral do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán — um dos principais obstáculos à candidatura ucraniana — representa uma oportunidade para "avanços substanciais" nas negociações. Nas redes sociais, o presidente reforçou que a Ucrânia luta "pela sua vida, pela sua independência e pela Europa que viveu em paz durante mais tempo", insistindo que sem o país não pode haver "cooperação europeia de pleno direito". A antiga secretária presidencial Yulia Mendel também rejeitou a ideia de um "membro de segunda categoria", mostrando que a rejeição é consensual em Kiev.
Apesar do entusiasmo ucraniano, a oposição no flanco oriental da UE é forte. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, afirmou que a Ucrânia "não está minimamente preparada" para a adesão e questionou o que Kiev poderia oferecer em troca. Fico lembrou ainda que países como Montenegro, Albânia e Sérvia se submetem a "reformas políticas suicidas" e que Bruxelas não pode dar à Ucrânia "vantagens europeias incríveis" enquanto os Balcãs esperam há anos. A sua intervenção ecoa um mal-estar latente entre os Estados-membros que receiam que a urgência geopolítica atropele os procedimentos técnicos e políticos do processo de alargamento.
Observadores em Lisboa notam que o debate expõe a tensão entre a solidariedade europeia com uma vítima de agressão russa e a necessidade de manter a credibilidade dos critérios de Copenhaga, que exigem instituições estáveis e economias de mercado funcionais. Já na perspetiva de Brasília, o impasse é acompanhado com distanciamento, mas com atenção aos seus efeitos na segurança alimentar global e no equilíbrio de forças entre o Ocidente e os BRICS, bloco onde a Rússia tem assento. A diplomacia brasileira tem defendido uma solução negociada para o conflito, evitando alinhar-se com as narrativas de adesão acelerada.
A discussão sobre o estatuto intermédio surge num momento em que a guerra entra no seu quarto ano e a UE procura instrumentos para manter a Ucrânia ancorada ao projeto europeu sem desencadear uma crise interna. A rejeição de Zelensky força os líderes europeus a ponderar se o caminho para a adesão plena pode ser encurtado — ou se a resistência de países como a Eslováquia e a memória do veto húngaro continuarão a travar qualquer avanço significativo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Eastern European press covers Zelenskyy's reaction to Merz's proposal, emphasizing that Ukraine deserves full EU membership for its sacrifice in defending Europe. The tone is measured, but there is some disappointment with the German proposal, seen as a step back from Ukrainian expectations.
Russian state media highlights internal Ukrainian criticism of Zelenskyy, citing historians and politicians who accuse him of rejecting a reasonable proposal and using the country as a shield for Europe. The tone is strongly critical, with indignation towards Ukrainian leadership, and emphasizes the stalemate in the EU accession process.
Israeli press reports the news neutrally, focusing on Zelenskyy's letter and Merz's proposal. The tone is detached, with an emphasis on procedural implications and potential impact on peace negotiations. No strong stance emerges, but there is interest in diplomatic developments.
Latin American press reports the news with a critical but measured tone, highlighting Zelenskyy's rejection of the German proposal. Ukraine's demand for equal rights in the EU is emphasized, but skepticism about actual membership prospects also emerges. The focus is on geopolitical dynamics and tensions between Ukraine and Germany.
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