Trump recusa oferta iraniana e mantém bloqueio ao Estreito de Ormuz: 'Estão a sufocar como um porco recheado'
Recusa de proposta de reabertura do Estreito de Ormuz por Washington prolonga asfixia económica do Irão e aprofunda a crise energética global.

O impasse no Estreito de Ormuz ganhou um novo capítulo de tensão quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou uma proposta do Irão para levantar o bloqueio naval e reabrir a passagem estratégica, afirmando que qualquer negociação exige primeiro o desmantelamento do programa nuclear de Teerão. Em entrevista ao portal Axios, Trump descreveu a estratégia de pressão como “algo mais eficaz do que os bombardeamentos” e acrescentou que os iranianos estão “a sufocar como um porco recheado”. A oferta iraniana previa o fim do bloqueio e conversações posteriores sobre o nuclear, mas Washington manteve a linha de força máxima, prolongando um confronto que já dura dois meses e alimenta a volatilidade dos mercados energéticos globais.
A paralisação forçada das exportações de crude iraniano estará a levar as infraestruturas de armazenamento e os oleodutos do país à beira do colapso, segundo Trump, que afirmou estarem “prestes a explodir”. A declaração reforça o diagnóstico de asfixia económica deliberada, ecoando a doutrina de “pressão máxima” que a Casa Branca tem aplicado contra a República Islâmica. Para analistas, o bloqueio não só estrangula a economia iraniana, como também serve de arma de negociação sem o recurso a ataques diretos, embora o risco de um erro de cálculo militar permaneça elevado.
Da perspetiva de Brasília, o conflito no Golfo Pérsico produz efeitos ambivalentes: a subida dos preços do petróleo pode favorecer as receitas do pré-sal e da Petrobras, mas simultaneamente pressiona a inflação e os custos dos combustíveis num ano de recuperação económica incipiente. Observadores em Lisboa notam que a União Europeia acompanha com preocupação a escalada, já que a dependência energética do bloco expõe as economias a choques externos, ao mesmo tempo que a retórica unilateral de Trump testa a coesão transatlântica e as alianças tradicionais. No espaço lusófono africano, produtores como Angola e Moçambique veem uma janela de oportunidade para aumentar as exportações e captar receitas extraordinárias, mas a incerteza prolongada afasta investimentos e agrava a fragilidade fiscal desses países.
O endurecimento da posição norte-americana, ao recusar uma via diplomática que muitos considerariam um primeiro passo, sinaliza que a crise poderá estender-se, com consequências imprevisíveis para a segurança energética mundial. A metáfora agressiva, propositadamente chocante, visa demonstrar determinação, mas também arrisca isolar Washington de mediadores regionais e potências emergentes. Para o Sul Global, o episódio sublinha a urgência de diversificar fontes e rotas energéticas, enquanto o regime de Teerão, acossado por sanções, terá de decidir entre ceder ao desmantelamento nuclear ou enfrentar um agravamento da crise humanitária e económica interna.
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