Taliban reprime protesto contra hijab obrigatório em Herat e deixa mortos
Forças de segurança dispersaram manifestação que denunciava a detenção de dezenas de mulheres por violar o código de vestuário. Tiros deixaram ao menos um morto e vários feridos; ONU manifesta alarme.

As forças de segurança do Afeganistão dispersaram nesta terça-feira uma manifestação de defesa dos direitos das mulheres em Herat, no oeste do país. Testemunhas relataram que agentes abriram fogo contra a multidão, causando pelo menos uma morte, vários feridos e dezenas de detenções, incluindo mulheres e meninas. O porta-voz da polícia local, Sayed Masoud Hosseini, afirmou à agência estatal Bakhtar que o protesto na área de Jebrail “criou tensões” e perturbou a ordem pública sob o pretexto de se opor ao hijab islâmico, que qualificou de obrigação religiosa. As autoridades talibãs não confirmaram baixas nem detenções, enquanto o chefe regional da polícia da moral, xeque Aziz al-Rahman al-Muhajir, rejeitou as denúncias de que mulheres estivessem a ser presas sem motivo.
A manifestação foi desencadeada pela detenção de cerca de 30 mulheres acusadas de infringir as regras obrigatórias de vestuário, uma das quais estaria grávida, segundo a responsável interina da missão da ONU no Afeganistão, Georgette Gagnon, que levou o caso ao Conselho de Segurança na véspera. Os testemunhos indicam que a polícia da moralidade talibã, que aplica uma interpretação rigorosa da sharia, considera o rosto feminino como awrah — parte íntima do corpo —, forçando as mulheres a cobri-lo integralmente. Para as manifestantes, tratava-se de um gesto raro de resistência num país onde os protestos se tornaram escassos desde o regresso do grupo ao poder em 2021. Apesar da versão oficial de que a reunião perturbava a ordem, relatos de testemunhas oculares indicam que polícias armados dispararam contra os manifestantes e perseguiram-nos pelas ruas adjacentes.
A ação insere-se num endurecimento mais amplo do controlo social. Na mesma semana, o Centro Empresarial Russo em Cabul alertou as turistas russas para o risco de detenção por vestuário fora das normas: exige-se roupa densa, de tecido opaco e folgado, com rosto, mãos e pés completamente ocultos — o véu não pode ter aberturas para os olhos, apenas uma malha —, além de meias grossas. As mulheres estão ainda proibidas de falar alto, inclusive ao telefone, na presença de homens que não sejam parentes. Organizações de direitos humanos e diplomatas ocidentais condenaram as restrições, mas o Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício afegão desvalorizou as críticas internacionais.
Na perspetiva de Brasília, a deterioração dos direitos das mulheres no Afeganistão é acompanhada com apreensão, ecoando a posição de países lusófonos que se alinham aos apelos da ONU pelo respeito às liberdades fundamentais. Observadores em Lisboa notam que o protesto de Herat, embora violentamente reprimido, demonstra que bolsas de contestação persistem, ainda que enfrentem uma máquina repressiva implacável. Sem alavancagem internacional eficaz, analistas preveem a continuidade de políticas que afastam o Afeganistão dos padrões mínimos de direitos humanos, com as mulheres a carregar o peso de um retrocesso sem precedentes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
A polícia de Herat dispersou um protesto pelos direitos das mulheres depois que a polícia da moral talibã deteve mulheres por supostas violações do código de vestuário obrigatório. Testemunhas relatam um morto, vários feridos e dezenas de detidos, embora as autoridades talibãs não tenham confirmado vítimas nem detenções.
Forças talibãs atacaram uma reunião de defensoras dos direitos das mulheres e opositoras do hijab em Herat. Uma testemunha disse a uma emissora financiada pela Europa que pelo menos uma pessoa morreu, várias ficaram feridas e dezenas foram presas, enquanto as autoridades talibãs se recusaram a comentar.
Os talibãs abriram fogo contra manifestantes que protestavam contra a detenção de mulheres por violarem o código de vestuário imposto. Um alto funcionário da ONU disse ao Conselho de Segurança que cerca de 30 mulheres tinham sido detidas pela polícia da moral, e as forças de segurança usaram força letal para dispersar a multidão, causando vítimas e prisões.
Mulheres russas que viajam no Afeganistão foram alertadas sobre o risco real de detenção por roupas consideradas em desacordo com as rigorosas normas de vestuário islâmico local. Um centro empresarial russo registrou recentes detenções de mulheres por violação do código de vestuário e divulgou diretrizes detalhadas: roupas grossas, discretas, folgadas, cobertura total do rosto, mãos e pés, incluindo véu de rede sem aberturas para os olhos.
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