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SpaceX: foguetes dão prejuízo, mas Starlink sustenta avaliação de 2,2 biliões de dólares

Prospecto da OPV revela dependência financeira do serviço de satélites; analistas europeus alertam para riscos de euforia e para o controlo total de Musk.

Finanças5 veículos2 idiomas2 min de leituraAtualizado 05:23

O documento submetido à SEC por Elon Musk para a aguardada abertura de capital da SpaceX desfaz uma década de narrativa triunfal: o negócio de lançamento de foguetes, aquele que tornou a empresa num símbolo de disrupção aeroespacial, gerou apenas 4,1 mil milhões de dólares em receitas no último exercício e, afinal, perdeu dinheiro. É a rede de satélites Starlink que agora domina as vendas e sustenta as projeções quase ilimitadas de um conglomerado que, no prospecto, fala numa oportunidade de mercado de 26,5 biliões de dólares, abarcando inteligência artificial e telecomunicações.

Perante a desproporção entre a mística dos Falcon reutilizáveis e a realidade das contas, os termos da operação assumem um peso histórico. A avaliação bursátil poderá oscilar entre 1,75 biliões de dólares, segundo os cálculos mais conservadores citados na imprensa alemã, e a cifra de 2,2 biliões que circula em Madrid, o que transformaria Musk no primeiro “trilionário” do planeta, deixando os Rockefeller como uma nota de rodapé da concentração de riqueza digital. Porém, a euforia em Wall Street contrasta com a leitura cautelosa que se faz do outro lado do Atlântico: observadores em Frankfurt recordam os tombos de Uber e Rivian, que desiludiram quem comprou no pico da euforia, e sublinham que Musk manterá o controlo absoluto do voto graças a uma estrutura acionista de duas classes.

Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, onde as ambições espaciais nacionais ainda dependem de parcerias estatais, a estreia em bolsa do maior foguetão privado do mundo tem sobretudo um efeito de demonstração. A SpaceX não tem concorrente direto comparável, o que torna o seu valor difícil de calibrar, e a combinação de prejuízos operacionais com promessas faraónicas – do Starship à monetização integral da órbita baixa – exige do pequeno investidor o que a imprensa espanhola descreve como um ato de fé.

A cautela europeia não trava o entusiasmo, mas fornece uma lente de prudência. Se a história das megas OPAs recomenda esperar que a espuma assente, o poder de sedução de um “MemeLord” que já revolucionou o acesso ao espaço pode revelar-se um desafio à história dos mercados. Para o aforrador lusófono que pondera comprar uma fração do sonho interplanetário, o prospecto é um convite à vigilância: a próxima fronteira do capitalismo continua a funcionar à custa do talento de Musk para converter prejuízos em narrativas de futuro.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa latinoamericana/ mercatotrionfoscetticismo

The latinoamericana press frames the SpaceX IPO as a historic opportunity akin to Tesla's rise, emphasizing the enormous market potential of the Starlink division. However, it also notes that the rocket launch business remains unprofitable, injecting a note of caution. Investors are encouraged to eye the opportunity with both excitement and wariness.

Stampa europea continentaleallarmescetticismo

European continental press warns small investors against overexcitement for SpaceX's IPO, emphasizing the high valuation and risks. It argues that early investors often buy at peak prices and that the company's complexity and dependence on Elon Musk make it a risky bet. Caution is strongly advised, despite SpaceX's technological prowess.

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