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terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 10:00 CET

Regresso triunfal da Artemis II encerra jejum lunar de 54 anos

Após dez dias de missão, a cápsula Orion amarou no Pacífico. A tripulação foi ovacionada em Houston, selando o primeiro voo tripulado à Lua desde o programa Apollo.

Saúde e Ciência10 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 10:37

A histórica missão Artemis II culminou na sexta-feira, 10 de abril, com a amaragem da cápsula Orion no Oceano Pacífico, ao largo de San Diego, na Califórnia. Menos de 24 horas depois, os quatro astronautas — os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e o canadiano Jeremy Hansen — aterraram em Houston, Texas, onde foram recebidos com lágrimas e aplausos por familiares e centenas de funcionários da NASA. No palco do Johnson Space Center, vestidos com os fatos azuis de voo, agradeceram às famílias, à liderança da agência e a Deus. "Estamos unidos para sempre e ninguém aqui em baixo saberá o que os quatro vivemos", disse o comandante Wiseman, numa declaração emocionada.

A missão, a primeira a levar seres humanos à órbita lunar desde a Apollo 17, em 1972, começara a 1 de abril com o estrondo de 8,8 milhões de libras de impulso dos foguetões do Space Launch System. Durante dez dias, a nave percorreu uma trajetória que a levou mais longe do que qualquer missão tripulada anterior. A cápsula reentrou na atmosfera terrestre e desceu suavemente sobre as ondas a apenas 27 quilómetros por hora, amparada por três paraquedas de 35 metros de diâmetro. Em menos de duas horas, os astronautas foram içados por helicópteros para o navio USS John P. Murtha, onde passaram por avaliações médicas antes de seguirem para Houston.

O regresso captou a atenção de milhões de norte-americanos, com ecrãs gigantes a exibir a amaragem em estádios de basebol e reações virais nas redes sociais. A BBC acompanhou cada etapa, do lançamento que fez tremer o solo e viralizou a reação do jornalista, até ao momento de tensão da aterragem. Nos países de língua portuguesa, o feito foi notícia de destaque, com comentadores em Lisboa a sublinharem o papel da Agência Espacial Europeia na futura colaboração lunar e analistas no Brasil a recordarem os investimentos no programa Artemis como sinal de uma nova era de exploração.

A missão Artemis II não representa apenas um reencontro com a Lua, mas o prólogo de uma ambição maior: levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra ao solo lunar com a Artemis III, prevista para os próximos anos. Observadores em Maputo e Luanda veem na retoma das viagens tripuladas uma oportunidade para que a juventude africana se inspire nas carreiras científicas. Do ponto de vista geopolítico, o sucesso norte-americano reforça a liderança ocidental no espaço, num momento em que a China também acelera o seu programa lunar tripulado. A bordo da Orion, o canadiano Hansen simbolizou a dimensão internacional da aventura, que poderá, no futuro, incluir astronautas de outras latitudes, incluindo lusófonos.

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