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terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 06:00 CET

Quatro novos indiciados agravam posição do município de Crans-Montana em incêndio que matou 41 pessoas

Com a inclusão de três políticos e um funcionário, já são 13 os investigados por homicídio por negligência e lesões corporais; presidente da comuna foi ouvido e ninguém assume a responsabilidade pela ausência de vistorias contra incêndios desde 2019.

Legislação9 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:46

A investigação sobre o incêndio na discoteca Le Constellation, que na passagem de ano fez 41 mortos e 115 feridos em Crans-Montana, alargou-se a mais quatro suspeitos, elevando para 13 o número de pessoas constituídas arguidas por homicídio por negligência, ofensas à integridade física e incêndio involuntário. Entre os novos nomes estão três políticos – Patrick Clivaz, atual vereador com o pelouro da segurança, Jean-Claude Savoy e Jérémie Rey, respetivamente último presidente da junta e ex-vereador da segurança de edifícios do antigo município de Chermignon – e o funcionário Benjamin Charpiot, adjunto do chefe do serviço de segurança. As audições estão marcadas para maio e junho, adensando o cerco em torno da autarquia.

Na perspetiva de vários órgãos de comunicação suíços, o agravamento da posição do município tornou-se inevitável após o depoimento do atual presidente da comuna, Nicolas Féraud, que na segunda-feira foi ouvido durante onze horas. Segundo a imprensa germanófona, Féraud afirmou só ter tido conhecimento das falhas no sistema de proteção contra incêndios depois da tragédia, e que as inspeções periódicas à discoteca não eram realizadas desde 2019 – sem que ninguém reivindicasse a responsabilidade pela omissão. A audição de um ex-vereador da segurança pública (2021-2024), realizada na quarta-feira e prolongada por doze horas, trouxe à tona suspeitas de conivência entre o presidente e um conselheiro comunal, numa sucessão de falhas que os advogados das vítimas consideram indiciadoras de desleixo institucional.

Em paralelo, o mistério em torno do revestimento de espuma inflamável que revestia as paredes da cave permanece por esclarecer. O gerente do bar, Jacques Moretti, apresentou versões contraditórias sobre a origem do material, ora apontando uma compra numa loja Hornbach em Riddes, ora mudando de narrativa. A justiça valaisana também prorrogou a proibição de viagem de Moretti, enquanto a polícia cantonal, após meses de silêncio, admitiu a complexidade da investigação. Na frente diplomática, fontes italianas indicam que Roma recusou assumir os custos hospitalares das vítimas italianas, acrescentando tensão a um caso já carregado de implicações internacionais.

A sucessão de revelações coloca em evidência uma cadeia de irresponsabilidades que, para observadores lusófonos, ecoa tragédias como a da boate Kiss, em Santa Maria (Brasil, 2013), onde a fiscalização omissa e a politização dos serviços de segurança resultaram em condenações penais. Em Lisboa, o debate reaviva a memória dos incêndios florestais de 2017, que também expuseram a dificuldade de atribuir culpas a agentes públicos. À medida que as audiências avançam, a procuradoria de Sion prepara-se para confrontar versões, num processo que, para as famílias das 41 vítimas, é tanto sobre justiça como sobre a prevenção de futuros desastres.

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