Petróleo cede até 4% após cessar-fogo, mas riscos persistem
Recuo do Brent e WTI reflete alívio com trégua Israel-Irã, porém fragilidade do cessar-fogo e sinais de demanda global fraca mantêm volatilidade.

Os preços do petróleo recuaram significativamente nesta terça-feira, apagando boa parte dos ganhos da véspera, depois de Israel e Irã anunciarem a suspensão mútua de ataques após um apelo do presidente americano, Donald Trump. O barril do Brent cedeu até 3,4% no fim da tarde em Londres, para US$ 91,05, enquanto o WTI americano chegou a cair 3,9%, a US$ 87,71. Mais cedo, Trump declarou que as partes estão "muito próximas de alcançar um acordo" para encerrar o conflito, o que injetou otimismo nos mercados depois de uma segunda-feira em que a cotação disparara até 5% com bombardeios israelitas contra o Irã e o Líbano.
No entanto, a cautela prevalece entre operadores e analistas. Em Teerã e Tel Aviv, ambas as partes advertiram que as hostilidades podem ser retomadas, e Israel confirmou que continuará a atacar o Líbano. O estrategista Tamas Varga, da PVM Oil Associates, resumiu o sentimento europeu ao lembrar que "o mercado já passou por isso antes", em referência a ciclos anteriores de distensão seguida de escalada. Preocupa, sobretudo, o risco de bloqueios no estreito de Ormuz e a contaminação de rotas de transporte de energia, como enfatizam observadores do Golfo Pérsico. O analista Tim Waterer, da KCM Trade, nota que "apesar do alívio com a pausa nos ataques diretos, os investidores permanecem extremamente vigilantes".
Pesa ainda sobre as cotações a perceção de uma demanda global mais fraca do que o esperado, fator que se soma à redução dos prémios de risco geopolítico. Dados recentes de grandes economias sugerem desaceleração da atividade industrial, enquanto a China não apresenta o impulso de consumo que muitos projetavam. Com isso, o barril Brent, que ontem rondava os US$ 93, encontra dificuldade para sustentar uma recuperação consistente.
Na perspetiva de Brasília, o alívio pontual no petróleo atenua momentaneamente as pressões inflacionárias, mas analistas do mercado financeiro advertem que a persistência do conflito no Oriente Médio continua a alimentar a reprecificação dos juros globais. Cresce a perceção de que o Banco Central brasileiro está não apenas perto de encerrar o ciclo de flexibilização monetária, mas que o próximo passo da política monetária pode ser uma nova alta da Selic. Assim, a trégua frágil entre Israel e Irã mantém os mercados num compasso de espera, atentos a qualquer sinal de que a guerra regional possa voltar a incendiar os preços da energia e, por extensão, o custo de vida tanto nas economias avançadas quanto no mundo lusófono.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Os mercados latino-americanos recebem com alívio a trégua entre Irã e Israel mediada por Trump, que derruba o petróleo e reduz as pressões inflacionárias, mas mantêm a cautela ante o risco de novos confrontos no Oriente Médio.
O mercado de energia permanece profundamente cético quanto à durabilidade do cessar-fogo. As preocupações com a fragilidade da trégua, possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz e o risco de o conflito se alastrar para as rotas de transporte de energia mantêm os preços voláteis e os operadores nervosos.
Os preços do petróleo caíram após Irã e Israel concordarem em suspender os ataques mútuos, aliviando as tensões no Oriente Médio. O acordo direto entre os dois países é visto como um fator de estabilização para os mercados de petróleo.
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