Papa Leão XIV leva apelo de unidade à Catalunha e inaugura torre da Sagrada Família
Na segunda etapa da visita à Espanha, o pontífice falou em catalão na catedral de Barcelona, pediu harmonia ‘além das polarizações’ e abençoará a estrutura que torna a basílica a igreja mais alta do mundo.

O Papa Leão XIV desembarcou nesta terça-feira em Barcelona, segunda parada da sua viagem apostólica à Espanha, e rapidamente sinalizou sensibilidade às tensões locais. Na Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália, surpreendeu ao pronunciar parte do seu discurso em catalão, apelando a que os catalães sejam 'construtores de unidade' e difundam 'um clima de família, solidário e aberto, para além de qualquer polarização'. O gesto ecoou na imprensa local e mitigou momentaneamente as críticas de setores que esperavam mais uso da língua regional pelo primeiro pontífice norte-americano da história, que é assumidamente torcedor do Real Madrid em detrimento do Barcelona — outra faceta das guerras culturais que atravessam o país.
A escala catalã sucede três dias de apoteose em Madrid, onde Leão XIV se dirigiu ao Parlamento espanhol, um feito inédito para um líder religioso, e pediu aos deputados que a 'firmeza não exija desprezo e a discrepância não implique humilhação'. Criticou a polarização e recordou que a 'grandeza moral' de uma nação se mede pelo tratamento dado a imigrantes e vulneráveis. A visita à capital incluiu ainda um encontro com vítimas de abusos sexuais na Igreja e uma missa multitudinária no estádio Santiago Bernabéu, com cerca de 1,5 milhão de fiéis.
Em Barcelona, o tom político é atenuado, mas a fratura social em torno do debate independentista catalão é latente. O ponto culminante será a inauguração da Torre de Jesus Cristo da Sagrada Família, a mais alta do mundo com 172 metros, concluída em fevereiro passado após mais de 140 anos de obras. A bênção papal a este ícone do modernismo de Gaudí representa um dos momentos simbólicos mais poderosos de um pontificado que busca conciliar tradição e contemporaneidade.
Observadores em Lisboa notam que a viagem — a primeira de um papa a Espanha em 15 anos — assume contornos de teste para a popularidade papal na Europa secularizada, enquanto no Brasil, maior país católico, a ênfase na migração e na justiça social encontra forte ressonância. O périplo encerra-se nas ilhas Canárias, com um encontro com cerca de mil imigrantes, tema igualmente sensível em nações lusófonas africanas de onde partem muitos dos que arriscam a travessia atlântica. Ao falar em catalão, abençoar a torre e defender os migrantes, Leão XIV costura uma mensagem de universalidade que desafia clivagens locais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
O Papa apelou à superação das polarizações e à construção da unidade, falando catalão na catedral. Descreveu os abusos como uma ferida aberta e encontrou-se com vítimas. O seu apelo à solidariedade coexistiu com protestos e perturbações logísticas que marcaram a visita.
A paragem de Leão XIV em Barcelona centra-se na bênção da torre concluída de 172 metros da Sagrada Família, agora a igreja mais alta do mundo. A missa coroa a sua primeira grande digressão europeia desde a eleição, um marco nos 144 anos de construção da basílica.
Após a receção eufórica em Madrid, o Papa chegou a Barcelona com uma mensagem firme contra a guerra e pela dignidade dos migrantes. O contraste é nítido: a apoteose madrilena contra uma Barcelona marcada por greves, laicismo e tensão linguística, testando o seu apelo por uma ordem mundial mais justa.
O Papa deslocou-se de Madrid para Barcelona na sua digressão humanitária, alertando que a escalada de conflitos está a mergulhar o mundo numa crise profunda. Argumentou que a grandeza moral de uma nação se mede pela forma como trata migrantes e vulneráveis, apelando ao altruísmo e à ajuda.
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