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segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Papa Leão XIV condena lucros ‘vertiginosos’ da poluição na Terra dos Fogos

Em Acerra, o primeiro papa americano denunciou os interesses criminosos que envenenam a região, consolou famílias de vítimas e, entre a multidão, rendeu-se ao mem do ‘six seven’ e a uma pizza.

Energia e Clima7 veículos3 idiomas2 min de leituraAtualizado 05:23

Papa Leão XIV deslocou-se este sábado a Acerra, no coração da chamada Terra dos Fogos, para uma visita intensa de quatro horas que combinou denúncia profética, consolo às vítimas e gestos de proximidade. Diante de familiares que lhe estendiam fotografias de crianças e jovens mortos por cancro, o primeiro pontífice americano afirmou ter vindo «antes de tudo, recolher as lágrimas daqueles que perderam entes queridos, mortos pela poluição ambiental causada por pessoas e organizações sem escrúpulos». Na catedral da cidade, perante mais de 12 mil fiéis, Leão XIV denunciou um «concentrado mortal de interesses obscuros» e apelou à rejeição das «tentações de poder e enriquecimento ligadas a práticas que poluem a terra, a água, o ar e a convivência social».

Há décadas que a região nos arredores de Nápoles é palco de um esquema criminoso de despejo e queima de resíduos tóxicos, muitas vezes provenientes do norte industrial italiano, com a conivência da máfia. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou, no ano passado, que as autoridades falharam em proteger os cerca de três milhões de habitantes, que apresentam taxas de cancro superiores à média nacional. O papa agradeceu ainda à Igreja local e a quantos «responderam ao mal com o bem», num reconhecimento do trabalho de denúncia que há anos ecoa numa terra marcada pela resignação.

O programa severo não impediu momentos de leveza. Durante o trajeto no papamóvel, o pontífice replicou o gesto da trend «six seven» para um grupo de crianças, repetindo a brincadeira que já protagonizara no Vaticano há uma semana, e aceitou de um pizzaiolo local uma pizza e uma bandeja de sfogliatelle, iguarias da Campânia que lhe foram oferecidas como tributo popular.

A visita suscita leituras para além das fronteiras italianas. Na perspetiva de Brasília, o apelo do papa ecoa a luta das comunidades amazónicas contra o extrativismo predatório, enquanto observadores em Lisboa assinalam a atualidade do combate ao tráfico ilícito de resíduos na União Europeia. Em países africanos de língua portuguesa, como Moçambique e Angola, onde projetos mineiros e petrolíferos geram passivos ambientais graves, a mensagem de Leão XIV pode reforçar a exigência de responsabilização corporativa. Ao regressar ao Vaticano de helicóptero, o papa deixou uma advertência que transcende o caso italiano: a crise ecológica é inseparável da justiça social.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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The Pope visits the Land of Fires to hear the cry of victims and denounce the dark interests that have poisoned the environment. The journey is highly symbolic, marking the first papal visit to this tormented area. The focus is on the tears of families and the call for conversion.

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The Pope's visit to the Land of Fires is seen as support for families seeking justice for children killed by cancer linked to toxic waste. The link to the Laudato Si' encyclical and Pope Francis' environmental legacy is highlighted. The role of eco-mafias and the lack of justice despite European Court rulings are emphasized.

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The papal visit to the Land of Fires highlights the environmental devastation caused by illegal landfills controlled by the mafia. Toxic contamination poisons residents and the area is a symbol of the ecological crisis. The Pope brings a message of hope but the situation remains severe.

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