OMS eleva risco de ébola na RDC para ‘muito alto’ e dez países africanos estão em perigo
Três novos casos no Uganda elevam total para cinco; centro de tratamento incendiado na RDC expõe tensões. Angola entre os dez países em risco máximo.

A Organização Mundial da Saúde reviu em alta o risco do surto de ébola na República Democrática do Congo, passando-o de “alto” para “muito alto” a nível nacional, enquanto o Uganda confirmava três novas infeções, elevando para cinco o total de casos no país. O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África) alertou que dez outras nações — entre as quais Angola, Zâmbia, Quénia, Tanzânia e Etiópia — enfrentam um risco elevado de contágio, devido à proximidade geográfica, à intensa mobilidade transfronteiriça e à fragilidade dos sistemas de vigilância epidemiológica.
O surto, causado pela estirpe rara de Bundibugyo, tem o seu epicentro na RDC, onde já se registam cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes prováveis, embora apenas 82 contágios e sete óbitos tenham sido confirmados laboratorialmente. A resposta tardia, a ausência de uma vacina específica para esta variante e a violência armada que assola a região dificultam o controlo. Na perspetiva de Brasília, o facto de Angola — parceiro estratégico e membro da CPLP — integrar a lista de países de alto risco é motivo de preocupação acrescida, sobretudo pelos laços comerciais e movimentos migratórios que ligam as duas margens do Atlântico.
A tensão nas comunidades agravou‑se com ataques a instalações de saúde. Em Mongbwalu, na província de Ituri, desconhecidos incendiaram uma tenda de tratamento, levando à fuga de dezoito doentes suspeitos de ébola; dias antes, outro centro em Rwampara fora destruído após as autoridades proibirem os rituais fúnebres tradicionais. As restrições, embora necessárias para conter a propagação, alimentam a desconfiança e a resistência das populações, tornando ainda mais difícil a tarefa das equipas humanitárias.
Observadores em Lisboa notam que a dimensão regional da crise sublinha a necessidade de uma resposta coordenada que envolva não só a OMS e o CDC África, mas também a União Africana e os doadores internacionais. A circulação de pessoas, muitas vezes por fronteiras porosas, e a existência de rotas comerciais informais elevam o risco de o surto se converter numa emergência transfronteiriça de larga escala. Entretanto, os Estados Unidos alargaram a proibição de viagens a portadores de ‘green card’ que tenham estado recentemente nas zonas afetadas, sinal do impacto global do surto. A própria OMS reviu o risco regional para “alto”, mantendo o nível global como “baixo”, mas a rapidez da propagação em contexto de crise sanitária e humanitária mantém a comunidade internacional em estado de alerta.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
The Latin American press highlights the alarm over Ebola spreading to ten African countries, with a concerned but factual tone. It emphasizes the regional risk and the response of health authorities, without excessive sensationalism. The focus is on numbers and containment measures.
The Nordic press reports urgently on the expansion of the Ebola outbreak, focusing on new cases in Uganda and attacks on health facilities. The tone is alarmed but measured, emphasizing the need for an international response. It highlights the fragility of the local health system.
The Indian and South Asian press adopts an alarmed tone, highlighting the threat to ten African countries and US travel restrictions. The focus is on the rapid spread of the virus and global implications, with a pragmatic approach emphasizing the need for international coordination.
The Atlantic press highlights the chaos and attacks on hospitals in the DRC, with a critical tone towards crisis management. Emphasis is on patient flight and insecurity, sparking indignation over the humanitarian situation. It underscores the urgency of stronger intervention.
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