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Mediação americana na Ucrânia suspensa e Rússia veta Europa como interlocutora

Kremlin anuncia pausa na mediação dos EUA e exclui a União Europeia por impor condições; enviados americanos mantêm contactos, mas não há data para visita a Moscovo.

Política7 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 19:57

O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, confirmou esta terça-feira que o processo de mediação liderado pelos Estados Unidos no conflito ucraniano está suspenso. A declaração surge numa altura em que Moscovo afasta a possibilidade de aceitar representantes da União Europeia como mediadores, sobretudo se partirem de exigências prévias. «Começar esforços de mediação impondo condições à Rússia é ilógico, incorreto e inaceitável», afirmou Peskov, frisando que os europeus ainda «estão longe de estar preparados» para esse papel. Ao mesmo tempo, frisou que os negociadores norte-americanos continuam a dialogar com Moscovo e com Kiev através dos canais existentes, ainda que não esteja agendada qualquer conversa telefónica entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump.

A pausa no processo de mediação, segundo fontes da imprensa árabe, ter-se-á acentuado desde fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram operações militares contra o Irão, desviando as prioridades diplomáticas de Washington. Apesar disso, os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner mantiveram contactos recentes com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que descreveu a conversa como «positiva». Peskov, porém, lamentou que a parte norte-americana ainda não tenha partilhado com a Rússia os detalhes desse diálogo. «Se houvesse ali algo de importante ou inovador, os americanos já nos teriam informado rapidamente», comentou o porta-voz, deixando implícito que, para o Kremlin, a linha entre Kiev e Washington não produziu avanços substanciais.

A rejeição russa de um eventual mediador alemão, revelada pelo diário moscovita Vedomosti com base numa fonte próxima das estruturas de segurança, adensa o estreitamento das vias diplomáticas. A mesma fonte admitiu que, no seio da União Europeia, França e Itália poderiam ser consideradas, mas qualquer negociação dependeria sempre de um cessar-fogo prévio na Ucrânia. Observadores em Bruxelas notam que a insistência europeia em exigir a retirada russa como condição para o diálogo é vista pelo Kremlin como um apoio tácito à continuação das hostilidades. Nas capitais lusófonas, como Brasília e Lisboa, a estagnação do processo de paz é acompanhada com apreensão, pela possibilidade de prolongamento dos choques nos mercados de cereais e fertilizantes que afetam países da África lusófona e da América Latina.

A falta de uma data para a visita de Witkoff e Kushner a Moscovo, e a inexistência de planos imediatos para uma cimeira telefónica entre Putin e Trump, sugerem um compasso de espera deliberado. Peskov garantiu que uma conversa entre os dois chefes de Estado pode ser organizada «no mais curto espaço de tempo» se houver necessidade, mas, por ora, essa hipótese não está na agenda. O cenário é de uma mediação congelada, com canais abertos mas sem movimento, e com a Europa cada vez mais excluída de um eventual regresso à mesa das negociações.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A Rússia rejeitou a Alemanha como mediadora da UE, preferindo representantes franceses ou italianos. O Kremlin insiste que quaisquer negociações exigem um cessar‑fogo prévio e recusa condições impostas pelos mediadores. Os contatos com os enviados dos EUA prosseguem, mas o processo de mediação está suspenso, sem data para a visita dos emissários.

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O porta‑voz do Kremlin disse que um telefonema entre Putin e Trump poderia ser organizado rapidamente, mas não está na agenda no momento. A mediação americana sobre a Ucrânia estagnou e Washington ainda não informou Moscou sobre o teor da conversa de seus enviados com Zelensky. Embora os canais permaneçam abertos, a suspensão evidencia a fragilidade das iniciativas de paz externas.

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O Kremlin descartou por enquanto uma telefonema agendada entre Putin e Trump, mas confirmou que os enviados americanos Witkoff e Kushner continuam em contato com Moscou e Kiev. O processo de mediação na Ucrânia foi interrompido em fevereiro, depois que os Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar contra o Irã. O resultado é que a guerra no Irã desviou o foco de Washington e congelou os canais diplomáticos anteriores.

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