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McIlroy repete vitória no Masters e inscreve-se ao lado das lendas do golfe

O norte-irlandês conquistou o segundo Masters consecutivo por uma pancada de vantagem, juntando-se a Nicklaus, Faldo e Woods como os únicos bicampeões de Augusta.

Sociedade14 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 10:15

Rory McIlroy sagrou-se bicampeão do Masters ao defender com sucesso o título conquistado no ano anterior, um feito que apenas Jack Nicklaus, Nick Faldo e Tiger Woods tinham alcançado. Na volta final de domingo, em Augusta, o norte-irlandês de 36 anos entregou um cartão de 12 pancadas abaixo do par, suficiente para superar por uma só pancada o número um mundial, Scottie Scheffler, que protagonizou um fim de semana sem um único bogey, mas não conseguiu anular a desvantagem de doze pancadas com que iniciara a terceira ronda. A vitória, celebrada com discrição comparada à explosão emocional do ano passado, confirma McIlroy na elite eterna da modalidade.

O desfecho foi tudo menos linear. Justin Rose, derrotado no playoff de 2025, chegou a liderar na derradeira volta, antes de ceder com bogeys nos buracos 11 e 12, precisamente no temível Amen Corner. McIlroy aproveitou a hesitação alheia e, com um ferro ousado sobre o ribeiro Rae’s Creek no 12 e uma monumental pancada de saída de 350 jardas no 13, engatou dois birdies que lhe deram o controlo absoluto. Apesar de um drive errante no 18 que quase lhe custou caro, um bogey bastou para fechar a prova e vestir novamente o cobiçado blazer verde. O prémio de 4,5 milhões de dólares, extraído de uma bolsa total recorde de 22,5 milhões, reflete a pujança financeira do torneio.

Na imprensa norte-americana, a transmissão da CBS gerou forte contestação, com os espectadores a queixarem-se de que anúncios excessivos ocultaram golpes decisivos nos momentos de maior tensão. Em contraponto, a crónica desportiva europeia, nomeadamente a suíça NZZ e a francesa Le Temps, realçou a dimensão histórica do bicampeonato, sublinhando ainda o esmorecimento da liga dissidente LIV, cada vez mais afastada dos holofotes competitivos. No espaço lusófono, onde o golfe não ocupa o primeiro plano mediático, a proeza de McIlroy foi saudada sobretudo pela raridade estatística e pela aproximação a ídolos transatlânticos como Nicklaus e Woods, servindo de metáfora para a perseverança no desporto de elite.

A presença dos pais do campeão em Augusta — que tinham falhado a vitória do Grand Slam em 2025 — acrescentou uma camada íntima à conquista. McIlroy revelou que receou uma depressão pós-título e, por isso, encarou esta vitória como “parte da jornada” e não como destino final, uma lição de maturidade para qualquer desportista obcecado com marcos. Com seis majors no currículo e a perspetiva de uma tríplice coroa inédita em 2027, o norte-irlandês ultrapassa já, em muitas análises, o legado de Phil Mickelson, reposicionando-se na galeria dos maiores de sempre.

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