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terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 10:00 CET

Italiano Yeman Crippa faz história na maratona de Paris com recorde pessoal

Yeman Crippa vence a maratona de Paris em 2h05min18s, tornando-se o primeiro italiano a triunfar na prova e o primeiro europeu em 24 anos, enquanto em Zurique a Suíça festeja um pódio caseiro.

Sociedade8 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 10:35

O atletismo italiano inscreveu um capítulo inédito na manhã de domingo em Paris. O fundista Yeman Crippa, 29 anos, venceu a maratona da capital francesa com o tempo de 2h05min18s, recorde pessoal e segunda melhor marca italiana de sempre, apenas atrás dos 2h04min26s de Iliaas Aouani em Tóquio. Nascido na Etiópia e radicado em Trento, Crippa tornou-se o primeiro azzurro a conquistar uma das mais concorridas provas do calendário mundial, quebrando um jejum europeu que perdurava desde 2002, quando o francês Benoit Zwierzchiewski ali triunfara. A dimensão do feito ecoa com particular intensidade no universo lusófono, onde maratonas como a de Lisboa, a São Silvestre e as provas brasileiras são há anos dominadas por atletas do continente africano. A imprensa italiana descreveu a vitória como "uma das mais pesadas da atletismo transalpino" nas últimas décadas e o próprio atleta resumiu: "A minha carreira como maratonista começa hoje".

A corrida foi uma peça de inteligência tática. Crippa manteve-se sempre no grupo dianteiro, sem ceder às constantes variações de ritmo impostas pelos favoritos africanos. O ataque decisivo surgiu a cerca de 1,5 quilómetro da meta, num trecho de pavé em ligeira descida que se revelou fatal para os adversários. O etíope Bayelign Teshager (2h05min23s), o queniano Sila Kiptoo (2h05min28s) e o gibutiano Mohamed Ismail (2h05min38s) foram relegados para os lugares secundários. O triunfo, sob o Arco do Triunfo e perante quase 60 mil participantes, confirmou a maturidade do corredor das Fiamme Oro, que melhorou quase um minuto o seu anterior máximo obtido em Sevilha, e assinou um split negativo — a segunda metade da prova foi mais rápida do que a primeira.

No mesmo fim de semana, a maratona de Zurique teve um desfecho distinto e sublinhou a resiliência de outros perfis europeus. Os quenianos fizeram a festa no pódio masculino e feminino: Davis Kiplangat venceu em 2h09min03s, enquanto Lydia Cheruto liderou as mulheres com 2h28min25s. A nota helvética foi dada por Selina Ummel, terceira classificada com 2h39min13s, melhorando em cerca de cinco minutos o seu recorde pessoal. Já em Paris, o octocampeão mundial de orientação Matthias Kyburz foi o quinto melhor europeu, terminando no 13.º posto da geral. A presença de um especialista desta modalidade entre os primeiros europeus revela a permeabilidade e o nível de exigência do fundo mundial.

Analistas em Lisboa e São Paulo notam que o feito de Crippa reforça uma tendência ainda incipiente mas significativa: a reaproximação dos fundistas europeus às marcas de topo que têm sido monopólio africano. Aos 29 anos, o italiano está longe do teto fisiológico na distância e o seu "negative split" sugere que pode aspirar a cronometragens ainda mais baixas, eventualmente disputando pódios em grandes campeonatos. Após a desilusão nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, o triunfo surge como um recomeço. Na pluralidade geográfica de um mesmo calendário atlético, o domingo deixou a imagem de uma Europa que, sem renegar a hegemonia queniana e etíope, começa a escrever as suas próprias páginas de resistência.

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