Israel ignora cessar-fogo e mata dez no Líbano, incluindo socorristas e criança
Apesar da trégua de 17 de abril, ataques israelitas no sul do Líbano e no vale do Bekaa vitimaram pelo menos dez pessoas, das quais seis profissionais de saúde e uma menina síria.

A madrugada de sexta-feira e o amanhecer de sábado expuseram a fragilidade do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. Dois ataques distintos, nas localidades de Hanaway e Deir Qanoun al‑Nahr, mataram pelo menos dez pessoas, incluindo seis socorristas e uma criança síria. O Ministério da Saúde libanês confirmou que na primeira ação, durante a noite de quinta-feira, quatro membros da Associação Islâmica de Saúde perderam a vida ao serem alvejados num centro da organização. Horas depois, um novo bombardeamento atingiu uma ambulância que transportava feridos, matando dois paramédicos da Associação Escoteira Al‑Rissala, um deles também fotojornalista, além de uma menina síria e outros dois civis. A técnica de duplo ataque – golpear o mesmo local após a chegada do socorro – foi relatada por fontes locais e reforça as denúncias de violação do direito internacional humanitário.
A resposta israelita, que alega ter visado alvos do Hezbollah, não apaziguou a comunidade internacional. Enquanto Telavive sustenta que os militares agiram contra elementos “suspeitos” junto à fronteira, relatos vindos de Beirute e de organizações humanitárias sublinham que instalações e profissionais de saúde estão a ser deliberadamente atingidos. A imprensa europeia deu destaque ao testemunho do Ministério da Saúde libanês, que contabilizou mais de 3.100 mortos desde 2 de março, quando o Hezbollah disparou contra território israelita e desencadeou a atual vaga de confrontos. A escalada, que já dura quase três meses, mina uma trégua formalmente em vigor mas quotidianamente violada.
No sábado, a aviação israelita alargou a ofensiva ao vale do Bekaa, com seis ataques em dez minutos nos arredores de Brital, região que até então escapara aos bombardeamentos da nova guerra. Caças destruíram uma casa em Al‑Rafid e atingiram Srifa, Baraachit e Haris, no distrito de Bint Jbeil. Em Tiro, dois mísseis caíram nas imediações do Hospital Hiram, enquanto se registavam disparos de artilharia contra Deir Qanoun al‑Nahr. Um drone feriu trabalhadores agrícolas sírios num pomar em Bazouriyeh, num total de 31 ataques contabilizados pelas fontes locais só na sexta-feira, segundo correspondentes no terreno.
Observadores em Lisboa e em Brasília notam que a repetição de incidentes contra missões de resgate constitui um desrespeito flagrante às Convenções de Genebra. O Brasil, que já comandou a Força‑Tarefa Marítima da UNIFIL e mantém tropas na força de paz da ONU no sul do Líbano, acompanha com preocupação a deterioração do ambiente humanitário. Portugal, membro não permanente do Conselho de Segurança, tem reiterado a necessidade de responsabilização por crimes de guerra. Em Luanda e em Maputo, a crise libanesa é seguida sobretudo pelo seu impacto na diáspora libanesa em África, que mantém fortes laços comerciais e familiares com o país.
A conjugação de bombardeamentos aéreos, artilharia e drones sobre áreas civis, somada à morte deliberada de quem tenta salvar vidas, lança dúvidas sobre a viabilidade de uma trégua mediada pelos Estados Unidos. Sem mecanismos eficazes de verificação ou sanção, o ciclo de violência tende a aprofundar-se, adiando qualquer perspetiva de estabilização duradoura no sul do Líbano.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
European continental outlets report the strike on Tibnin hospital factually, highlighting the nine wounded including medical staff, and noting that the attack occurred despite a fragile ceasefire. They maintain a neutral, descriptive tone without explicit condemnation.
Arab Levantine and Maghreb outlets strongly denounce the Israeli strike on Tibnin hospital, providing graphic details of damage to departments and ambulances, and emphasizing that seven of the nine wounded were hospital staff, including five women. They frame the attack as part of a broader pattern of Israeli aggression against medical infrastructure, referencing previous deaths of healthcare workers.
Atlantic outlets report the strike in a measured tone, noting that nine were wounded and the hospital damaged, but framing it within the context of a fragile ceasefire between Israel and Hezbollah. They maintain a neutral, observer stance without taking sides.
Israeli outlets focus on the military context, stating that the strike targeted a Hezbollah-affiliated medical facility and killed 10 people, including Hezbollah members. They highlight the IDF's operational success and downplay the hospital damage, framing the event as a legitimate military action.
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