Israel corta juros apesar do conflito com Irão; Brasil e Gana enfrentam riscos inflacionários
Banco de Israel reduziu taxa para 3,75% pela primeira vez desde janeiro, apoiado no shekel forte e inflação controlada. No Brasil, o IPCA previsto supera 5%, e o Gana mantém juros mas eleva exigências de reservas.

Numa decisão surpreendente pela confiança que transmite, o Banco de Israel baixou a taxa de juro diretora em 0,25 pontos percentuais, para 3,75%, esta segunda-feira. Foi o primeiro corte desde janeiro e o terceiro em seis meses, mesmo com a economia a funcionar sob o impacto da operação militar ‘Rugido do Leão’ e a incerteza geopolítica elevada. A inflação homóloga mantém-se nos 1,9%, confortavelmente dentro do intervalo‑alvo de 1% a 3%, e o shekel valorizou 8,3% face ao dólar desde a última reunião, atingindo máximos de 33 anos. O governador Amir Yaron atribuiu a força da moeda à melhoria do prémio de risco, às subidas bolsistas no exterior e à fraqueza generalizada do dólar, sublinhando que ‘o shekel forte traz alívio ao custo de vida’. Contudo, advertiu que novos cortes serão graduais, dada a volatilidade associada ao conflito com o Irão.
Enquanto Telavive afrouxa a política monetária, em Brasília os sinais são opostos. O boletim Focus do Banco Central do Brasil revelou a décima primeira semana consecutiva de agravamento das previsões para o IPCA, que saltou de 4,92% para 5,04% em 2026, ultrapassando o teto da meta de 3% com tolerância de 1,5 pontos. A guerra no Médio Oriente, ao pressionar os combustíveis, é apontada como um dos vetores da aceleração dos preços. Analistas brasileiros receiam que a nova escalada inflacionária force o Copom a interromper o ciclo de flexibilização, num momento em que a atividade ainda patina.
Em Acra, o Banco do Gana optou por uma solução de compromisso: manteve a taxa diretora em 14%, mas elevou o rácio de reservas obrigatórias para 20%, numa tentativa de conter as expectativas inflacionistas sem travar o crédito. A decisão, a primeira pausa em doze meses, foi interpretada pela consultora IC Insights como a confirmação de que a inflação voltará a subir — embora a disciplina orçamental, a estabilidade cambial e a redução do IVA devam mantê-la abaixo de 10% até ao final do ano.
Este triplo retrato expõe a divergência crescente entre blocos emergentes. Enquanto a economia israelita beneficia de um excesso na balança corrente, de entradas de capital dos fundos institucionais e de uma moeda que funciona como amortecedor da inflação importada, o Brasil e o Gana enfrentam a pressão de um dólar ainda robusto e dos efeitos de segunda ordem dos choques energéticos. Em Lisboa, economistas acompanham com atenção o caso israelita, que contrasta com a postura mais cautelosa do Banco Central Europeu, mas reconhecem que as condições muito particulares de Israel — em particular o excedente externo — dificilmente se replicam noutras geografias.
Para os próximos meses, a trajetória dos juros em Israel dependerá da evolução do conflito e da capacidade de o shekel absorver novas tensões. No Brasil, a proximidade do limite superior da meta pode reacender o debate sobre a credibilidade do regime de metas. No Gana, a eficácia do aumento do compulsório como travão à inflação será testada num ambiente de incerteza fiscal. Em todos os casos, a geopolítica do Médio Oriente continuará a funcionar como variável-chave, condicionando tanto as decisões de política monetária como as expectativas dos agentes económicos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Israel's central bank cuts rates, holding up the shekel's strength as a shield against inflation and a sign of economic resilience, even while acknowledging ongoing geopolitical uncertainty. The move is presented as a prudent but confident step to support activity, with the strong currency helping to ease cost-of-living pressures.
Brazilian financial markets keep raising the inflation forecast for the eleventh straight week, now above 5%, driven by fuel prices and Middle East tensions. The domestic worry over accelerating prices sharply contrasts with Israel's room for easing, as Brazil's own monetary authority faces pressure to respond to persistent inflation.
Ghana's central bank holds its policy rate steady but tightens liquidity by raising the cash reserve requirement, a maneuver praised as a strategic use of two instruments. Analysts see inflation edging up but expect it to remain contained below 10% by year-end, thanks to fiscal discipline and exchange rate stability.
Indonesia's central bank, having just raised its benchmark rate to 5.25%, is preparing incentive schemes to prevent commercial lending rates from climbing too fast. The intervention reflects an urgent effort to balance inflation control with the need to keep credit affordable for businesses and households.
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