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segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Irão reativa parcialmente internet após 88 dias de apagão, mas cidadãos descrevem 'prisão' digital

Acesso fixo regressou após decisão de Pezeshkian, porém redes sociais continuam bloqueadas e tráfego permanece abaixo dos níveis pré-protestos; especialistas alertam para censura reforçada.

Tecnologia9 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:32

Após 88 dias de bloqueio imposto pelo governo, o Irão restabeleceu parcialmente a internet fixa na terça-feira, 26 de maio, num gesto que combina alívio e ceticismo. O presidente Masoud Pezeshkian ordenou a reabertura da conectividade internacional, mas a decisão foi boicotada pelo poder judicial, que suspendeu o organismo regulador responsável pela execução da medida. Dados da plataforma de monitorização Kentik mostram que o tráfego de dados permanece muito abaixo dos níveis registados antes dos protestos de janeiro, com Doug Madory, diretor de análise da empresa, a sublinhar ao Jerusalem Post que «a quantidade total de tráfego é inferior à do período de restauração parcial de 27 de janeiro a 28 de fevereiro».

A interrupção começou a 28 de fevereiro, no primeiro dia da guerra entre o Irão e uma coligação liderada pelos EUA e Israel, repetindo o apagão que já havia silenciado as comunicações durante os massivos protestos populares de janeiro. Com mais de 90 milhões de habitantes isolados da rede global durante cerca de 2.000 horas, este foi o mais longo apagão digital da história moderna num país de grande dimensão. A imprensa italiana recolheu relatos de cidadãos que perderam empregos e negócios, enquanto organizações de direitos digitais em Teerão falam em custos psicológicos e financeiros devastadores.

As reações dos iranianos que recuperaram o acesso, ainda que limitado, oscilam entre a alegria e a amargura. «Nunca estive tão feliz na vida por ver notificações do Telegram», escreveu Kian Galvani, estudante de engenharia citado pelo Khaleej Times, ao passo que um técnico de informática de Teerão, Hamid, confessou ao The New York Times: «Sinto que saí da prisão». Contudo, a metáfora mais repetida nas redes sociais, segundo a BBC Persa, é a de terem passado «da solitária para a ala comum da prisão». Plataformas como Instagram, X/Twitter e YouTube continuam inacessíveis sem o uso de VPN, e a conectividade móvel permanece em grande parte desligada, confirmam relatórios da Al-Monitor. A própria expressão «filtranet» (internet filtrada) voltou a circular para descrever um regresso à normalidade censurada que nunca foi verdadeiramente livre.

Na perspetiva de Brasília, o episódio reacende o debate sobre soberania digital e bloqueios judiciais de aplicações, num país que já viveu suspensões do WhatsApp por decisões judiciais. Observadores em Lisboa notam o contraste com o princípio europeu da neutralidade da rede, enquanto em Maputo se recordam cortes pontuais durante crises políticas, mas nunca tão prolongados. O ativista iraniano Amir Rashidi, em entrevista à Radio Farda, alertou que cada restauração da conectividade no Irão «é sempre acompanhada de controlos e restrições mais rígidos do que no período anterior». A desconfiança é generalizada: o alívio pode ser temporário e o custo da reconexão, uma vigilância ainda mais intrusiva.

Passados quase três meses, o regresso parcial à internet global não apaga o rasto de perdas nem a sensação de que a conectividade é um direito subtraído, não uma concessão do poder. O Irão volta a estar ligado ao mundo, mas por um fio ténue, enquanto a sociedade civil avalia se a «prisão» digital apenas mudou de cela.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa iraniana e affini/ diasporascetticismovittimismo

The partial restoration of the internet after 88 days is met with a mix of relief and bitterness. Many Iranians highlight the economic losses and psychological toll of the regime-imposed isolation, while strong doubts remain about the stability of the connection and the government's true intentions.

Stampa israeliana/ sicurezzaallarmedistacco

The partial reopening is seen as a limited and temporary move that does not ease censorship or restore full connectivity. The focus is on technical data showing traffic levels still below pre-protest figures, with warnings that another shutdown could follow.

Stampa atlantica / anglosfera/ progressistascetticismoindignazione

The reactivation leaves many Iranians indifferent or disappointed, as they view internet access as a right that should never have been suspended. Emphasis is placed on the limited scope of the restoration and the normalization of an exceptional digital crackdown.

Stampa del Golfo arabo/ sauditascetticismopragmatismo

The partial reopening brings relief among Iranians, but also skepticism about its duration and the real freedom granted. Voices collected oscillate between joy at finally being able to communicate and awareness that censorship and control remain strong.

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