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Incêndio em refinaria australiana expõe fragilidade energética e alerta para dependência de combustíveis

Incêndio na refinaria de Geelong, uma das duas da Austrália, reduz produção de gasolina e reacende debate sobre segurança energética. Governo garante abastecimento, mas analistas temem volatilidade de preços.

Economia10 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:47

Uma das duas únicas refinarias de petróleo em funcionamento na Austrália foi atingida por um incêndio de grandes proporções na noite de quarta-feira, expondo a vulnerabilidade do país a choques na oferta de combustíveis. O fogo, que deflagrou por volta das 23h00 no complexo da Viva Energy em Geelong, a cerca de 65 quilómetros de Melbourne, gerou explosões e chamas que chegaram a 60 metros de altura, obrigando à evacuação de dezenas de trabalhadores e à emissão de alertas para a população se abrigar do fumo. Só ao fim de treze horas as equipas conseguiram extinguir as chamas, que não fizeram feridos e foram atribuídas a uma falha num equipamento da unidade de produção de gasolina.

As informações sobre os efeitos operacionais do incêndio revelaram-se contraditórias nas horas seguintes, ilustrando a dificuldade de avaliar danos em tempo real. Enquanto o ministro da Energia, Chris Bowen, afirmava que a produção de gasóleo e de querosene para aviação continuava, ainda que a níveis reduzidos por precaução, elementos dos bombeiros garantiam que o fogo estava contido numa zona de transferência que não afetava essas produções. O primeiro‑ministro Anthony Albanese viria a quantificar a quebra: 40% na produção de gasolina, com 80% do gasóleo e do combustível de aviação a serem mantidos. A própria Viva Energy anunciou, menos de 48 horas depois, uma recuperação mais rápida do que o esperado da capacidade de produção de diesel e jet fuel, embora a unidade de gasolina continue severamente danificada.

O incidente ocorre num momento de tensão acrescida nos mercados globais, com as guerras no Médio Oriente a pressionar preços e rotas de abastecimento. A Austrália, que encerrou várias refinarias na última década, depende hoje de apenas duas unidades — Geelong e Brisbane — para cerca de 10% do seu consumo, importando os restantes 90%, sobretudo da Ásia. Na perspetiva de Lisboa, esta fragilidade ecoa a dependência portuguesa de importações de crude refinado, embora o país conte com duas refinarias. Em Brasília, onde a Petrobras mantém um parque de refino robusto, o episódio serve de alerta para os riscos da concentração excessiva da produção. Já em Angola e Moçambique, produtores de petróleo, a limitada capacidade de refinação é compensada por uma autossuficiência em bruto que confere uma margem de segurança distinta.

O governo australiano procurou travar alarmismos. Albanese interrompeu uma viagem à Malásia, garantiu que não haverá racionamento nem ativação do plano de segurança energética e anunciou a compra de 100 milhões de litros de gasóleo, além de um acordo com a Petronas para fornecimento suplementar. No terreno, os receios de uma subida imediata de 20 cêntimos de dólar australiano por litro de gasolina no estado de Victoria não se materializaram de imediato, com os preços a recuar em várias cidades, embora analistas alertem que o impacto pode ser diferido. A reconstrução da secção de gasolina poderá demorar meses, mantendo o mercado sob pressão numa altura de incerteza geopolítica.

O susto relançou o debate sobre a resiliência energética. O executivo sinalizou a intenção de aumentar as reservas estratégicas e de incentivar camiões elétricos para reduzir a dependência do diesel. Para os países lusófonos, o episódio sublinha como nações com forte dependência de infraestruturas externas — caso de Portugal e de vários estados africanos — podem ficar expostas a choques semelhantes num contexto de transição energética e instabilidade internacional.

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The Sydney Morning Herald
Australian Broadcasting Corporation (ABC)
Le Temps
The Guardian
BBC News
The Independent
Australian Financial Review (AFR)
Sky News