EUA impõem bloqueio ao Estreito de Ormuz e acirram tensão global após colapso de negociações
Washington inicia cerco naval a portos iranianos após fracasso de conversações no Paquistão, elevando preços do petróleo e provocando reações de Pequim a Londres.

O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Estreito de Ormuz entrou em vigor na segunda-feira, dia 13 de abril de 2026, poucas horas após o colapso de 21 horas de conversações em Islamabad entre Washington e Teerão. O presidente Donald Trump ordenou que a Marinha norte-americana interceptasse qualquer navio com destino ou origem em portos iranianos, ameaçando afundar embarcações que desafiassem o cerco [A16]. A medida surge num contexto de guerra iniciada há seis semanas, com bombardeamentos aéreos de EUA e Israel que não conseguiram forçar a capitulação iraniana [A6]. Um frágil cessar-fogo ainda vigora, mas já foi violado por ambas as partes [A9].
A decisão provocou uma onda de reações internacionais contraditórias. O Reino Unido recusou-se a apoiar o bloqueio e o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou que mobilizará 40 países para pressionar pela reabertura do estreito, condenando simultaneamente a ação americana e o encerramento inicial feito pelo Irão [A4]. A China, por sua vez, advertiu Washington a não interferir nos seus laços comerciais e energéticos com Teerão, afirmando que os seus navios continuarão a operar na região [A13]. Em Lisboa e Brasília, analistas acompanham com apreensão a escalada, temendo nova volatilidade nos preços dos combustíveis e consequências diretas para as economias lusófonas, fortemente dependentes de importações de petróleo.
O impacto económico já se faz sentir. O tráfego diário no estreito caiu de cerca de 100-120 navios para apenas três ou quatro, um colapso que estrangula uma via por onde transitava mais de 20% do petróleo mundial [A15]. O preço do Brent chegou a ultrapassar os 100 dólares, mas recuou para perto de 97 dólares com a esperança de novas negociações [A14]. Contudo, a ameaça de o Iémen, aliado do Irão através dos Houthis, fechar o estreito de Bab al-Mandab — a «Porta das Lágrimas» — poderia agravar ainda mais a crise logística global [A20]. Para Angola e Moçambique, a subida temporária das cotações pode gerar receitas adicionais, mas a incerteza afugenta investimentos.
Do ponto de vista jurídico, o bloqueio levanta sérias dúvidas: a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar garante a liberdade de navegação em estreitos internacionais, e a ação americana pode ser interpretada como um ato de guerra ou até pirataria [A7][A18]. Estrategicamente, Trump aposta em asfixiar a economia iraniana para obter vantagem numa próxima ronda de conversações, mas Teerão acredita que o tempo joga a seu favor, pois o custo económico para o Ocidente aumenta a pressão sobre Washington [A2][A6]. Com o Paquistão a tentar mediar um regresso à mesa antes do fim do cessar-fogo [A9] e a vice-presidente JD Vance a sinalizar abertura [A14], o frágil equilíbrio entre bloqueio e diplomacia pode definir o desfecho de um conflito que já extravasa as fronteiras do Médio Oriente.
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