EUA barram melhor árbitro africano, e FIFA o afasta do Mundial 2026
Omar Abdulkadir Artan, somali premiado, teve entrada negada apesar de visto válido. EUA citaram 'preocupações de verificação', e a FIFA confirmou seu corte do torneio.

A FIFA confirmou nesta segunda-feira (8) que o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito melhor juiz do continente africano em 2025, está fora da Copa do Mundo de 2026, que começa em 11 de junho. Artan, de 34 anos, desembarcou no aeroporto internacional de Miami com um visto diplomático válido, mas foi detido por agentes de imigração e repatriado para Istambul, na Turquia, no sábado. A negativa, que o impedia de se tornar o primeiro árbitro da Somália a apitar uma fase final de Mundial, gerou indignação entre dirigentes esportivos africanos.
A Somália figura na lista de países sujeitos ao veto migratório reinstituído pelo governo de Donald Trump. No entanto, o passaporte diplomático que Artan portava – obtido com o apoio da embaixada somali em Nairóbi – deveria, em tese, isentá-lo das restrições. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA declarou que o viajante foi submetido a “inspeção adicional” e que a entrada foi negada por “preocupações de verificação” [A20]. O episódio ecoa outros percalços: dias antes, o atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido por sete horas em um aeroporto americano a caminho da preparação para o torneio.
Conselheiro do Ministério da Juventude e Esportes da Somália, Ciise Aden Abshir, qualificou a deportação como um ataque aos valores do futebol: “Negar-lhe a entrada nos EUA e impedi-lo de arbitrar prejudica não só a sua pessoa, mas também mina o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito do jogo limpo” [A2]. Na perspetiva de Brasília, onde a imprensa esportiva cobre o Mundial com atenção redobrada pela participação da seleção brasileira, o caso ilustra o risco de que decisões unilaterais de Washington interfiram no espírito universalista da competição. Observadores em Lisboa notam que a FIFA, ao confirmar o corte de Artan, admitiu sua impotência diante das leis migratórias do país anfitrião, um precedente delicado para futuros megaeventos nos EUA.
A entidade máxima do futebol sublinhou que “não está envolvida nos processos de imigração do país-sede” e que “a determinação final sobre a concessão de vistos cabe ao governo anfitrião” [A14][A27]. Com o torneio prestes a começar, o temor é que outras autoridades esportivas de nações abrangidas pelo travel ban – como Irã, Sudão ou Iêmen – enfrentem obstáculos semelhantes, mesmo portando credenciais oficiais da FIFA. A administração Trump apertou as restrições em janeiro de 2026 [A33], e o episódio com Artan sugere que nem o prestígio internacional de um árbitro premiado foi suficiente para superar o crivo das autoridades de fronteira.
Para o futebol africano, a ausência de Artan representa uma perda simbólica: o árbitro havia dirigido a final da Liga dos Campeões da CAF e era visto como um exemplo de ascensão profissional num país marcado por conflitos. Seu caso reacende o debate sobre a capacidade dos Estados Unidos de conciliar políticas de segurança com a realização de um evento que se propõe a unir nações – e sobre o preço que atletas e oficiais periféricos pagam quando a geopolítica invade o gramado.
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