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Escândalos sexuais simultâneos derrubam dois congressistas dos Estados Unidos

Eric Swalwell, democrata, e Tony Gonzales, republicano, anunciaram a saída do Capitólio após denúncias de agressão sexual e má conduta, mergulhando Washington em nova crise e afetando a corrida ao governo da Califórnia.

Legislação21 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:56

A segunda-feira foi marcada pela dupla renúncia no Congresso americano, fenómeno raro que expôs a urgência de responsabilização ética no topo da política. Eric Swalwell, representante democrata pela Califórnia e ex-candidato presidencial em 2020, anunciou que deixará o cargo na sequência de múltiplas acusações de agressão sexual, assédio e envio de mensagens explícitas a várias mulheres, incluindo uma antiga funcionária que alega ter sido violada quando estava alcoolizada em Nova Iorque [A6][A24]. Swalwell negou a acusação de violação, mas admitiu “erros de julgamento” e justificou a renúncia como forma de evitar uma votação de expulsão que considerava sem o devido processo legal [A5][A18]. Horas depois, o republicano Tony Gonzales, do Texas, também comunicava a retirada, pressionado pela confissão de um caso extraconjugal com uma assessora que mais tarde cometeu suicídio [A3][A15][A22].

As denúncias contra Swalwell, reveladas na sexta-feira anterior, desencadearam uma avalanche de consequências políticas e judiciais. A promotoria de Manhattan abriu uma investigação, e o Comité de Ética da Câmara iniciou um inquérito formal [A24]. Antigo aliado e amigo próximo, o senador Ruben Gallego apressou-se a condenar o colega, descolando-se de uma fotografia antiga de ambos sem camisa numa viagem ao estrangeiro, recuperada por críticos [A2][A10]. Enquanto figuras como a senadora Elizabeth Warren elogiavam a decisão de Swalwell, os republicanos questionavam o que a liderança democrata sabia antes da explosão do escândalo [A4]. Do outro lado do espectro, Gonzales já havia desistido da reeleição, mas a ameaça de expulsão bipartidária tornou a sua permanência insustentável [A22].

O abalo político mais profundo deu-se na Califórnia, onde a saída de Swalwell desorganizou a corrida ao governo estadual. O congressista era o favorito nas sondagens, e o seu súbito desaparecimento deixou os grandes doadores e o aparelho democrata à procura de um novo nome num campo já fragmentado [A7][A21]. Ex-deputada Katie Porter e o bilionário Tom Steyer surgem como os principais beneficiários, mas a confusão pode permitir que os republicanos, num feito inédito, excluam os democratas da eleição geral no estado mais azul do país [A16][A20]. Paralelamente, o vazio deixado por Gonzales agrava a apertada maioria republicana na Câmara e forçará eleições especiais no Texas [A19][A22].

A dupla renúncia está a ser observada com atenção fora dos Estados Unidos. Em Brasília, analistas notam que a rapidez da responsabilização contrasta com a letargia de processos éticos no Congresso brasileiro, onde escândalos sexuais raramente produzem consequências imediatas. Em Lisboa, comenta-se que a pressa de ambos os partidos em isolar os acusados revela um limite de tolerância a condutas predatórias que se impõe sem hesitações táticas, mesmo quando estão em jogo maiorias parlamentares. Para as jovens democracias lusófonas africanas, o caso americano serve de referência sobre como a pressão pública e mediática pode encurtar o prazo de validade de políticos envolvidos em abusos de poder. Resta saber se estas saídas representam um ponto de viragem ético ou, pelo contrário, um recalibrar cínico de danos, que apenas substitui protagonistas sem transformar a cultura institucional.

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