Engenheiro da Google acusado de lucrar milhões com dados secretos; antigo alto funcionário da CIA detido com 300 barras de ouro
A justiça norte-americana acusou um engenheiro informático de usar informação interna da Google para ganhar 1,2 milhões de dólares em apostas na Polymarket; em simultâneo, foi noticiada a detenção de um ex-dirigente da CIA com 40 milhões em ouro não declarado.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos formalizou esta semana duas acusações que, embora separadas, expõem zonas de sombra na fronteira entre informação privilegiada e criminalidade financeira. A que mereceu maior destaque transatlântico envolve Michele Spagnuolo, engenheiro de segurança informática da Google, detido em Nova Iorque sob a acusação de ter consultado, no final do ano passado, uma ferramenta interna da empresa para aceder aos dados confidenciais das pesquisas mais populares de 2025. Munido dessa informação, Spagnuolo terá apostado milhões na plataforma de previsões Polymarket, antecipando que o músico D4vd figuraria entre as personalidades mais procuradas — e embolsou 1,2 milhões de dólares. Trata-se do segundo processo em poucos meses por abuso de informação privilegiada na Polymarket, sinalizando o escrutínio crescente sobre mercados de previsão descentralizados.
Do outro lado do Atlântico, a imprensa russa sublinhou o carácter transnacional do caso, notando que o arguido é cidadão italiano residente na Suíça e que o lucro ilícito foi gerado por uma plataforma sem sede fixa. Já em Teerão, o noticiário deu prioridade a um outro escândalo: o antigo alto funcionário da CIA David Rush foi detido pelo FBI depois de os agentes terem descoberto, na sua casa na Virgínia, 300 barras de ouro avaliadas em mais de 40 milhões de dólares. A acusação formal, por ora, centra-se em falsificação de registos académicos e em dezenas de milhares de dólares recebidos indevidamente enquanto falsamente reivindicava pertencer à reserva da Marinha — da qual já fora expulso.
Analistas em Lisboa observam que a coincidência temporal dos dois processos coloca sob os holofotes a vulnerabilidade de organizações que dependem de acesso restrito a informação sensível. No caso da Google, a empresa confirmou a cooperação com as autoridades e reiterou a existência de controlos internos, ainda que o episódio revele fissuras nos mecanismos de supervisão de pessoal técnico com privilégios de administrador. Em Brasília, a reflexão dirige-se ao risco sistémico que plataformas como a Polymarket podem introduzir, convertendo segredos corporativos em ativos financeiros líquidos sem que haja um quadro regulatório consolidado — tema sensível num país que debate a regulação das apostas electrónicas.
O olhar prospectivo sugere que tanto o mercado de previsões como as agências de inteligência vão enfrentar pressões redobradas por transparência e prestação de contas. A conjugação improvável destes dois casos — um engenheiro de Silicon Valley e um veterano da comunidade de espionagem — ilustra que o acesso privilegiado à informação pode tornar-se, quando mal vigiado, num passaporte para a delinquência financeira, independentemente da latitude onde os protagonistas se encontrem ou da plataforma que escolham para rentabilizar o que sabem antes dos outros.
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