Ébola ultrapassa 100 mortos no Congo e alastra-se para o Uganda
Surto da estirpe Bundibugyo, sem vacina disponível, já causou 102 óbitos confirmados e atravessou fronteiras, enquanto a União Europeia mobiliza 17,5 milhões de euros.

O surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC) já provocou 102 mortes confirmadas e infetou 608 pessoas, segundo o Africa CDC, que reportou 45 novos casos num só dia. A epidemia, declarada a 15 de maio na província oriental de Ituri, ganhou uma dimensão transfronteiriça ao atingir o vizinho Uganda, onde foram registados 19 casos e duas vítimas mortais. A estirpe Bundibugyo, identificada como a causadora deste surto, não dispõe de vacina nem de terapêutica específica, o que agrava os receios de uma propagação descontrolada.
As autoridades sanitárias enfrentam dificuldades acrescidas pela insegurança crónica nas três províncias afetadas — Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul —, onde grupos armados limitam o acesso das equipas médicas. Apenas dois terços dos contactos são rastreados, o que torna credível a existência de um subdiagnóstico elevado, confirmado por fontes oficiais que admitem que o vírus circulou sem ser detetado durante semanas antes do alerta inicial. A desconfiança de comunidades locais e as agressões a profissionais de saúde, notadas por analistas em Paris e Bruxelas, complicam ainda mais a contenção.
A resposta internacional começa a ganhar escala. A Comissão Europeia alocou 17,5 milhões de euros ao Africa CDC, enquanto a Suíça disponibilizou 3 milhões de francos para apoiar as operações no terreno. O Uganda encerrou a fronteira com a RDC e a Organização Mundial da Saúde reforçou os alertas para o risco de transmissão intercontinental. A taxa de letalidade, fixada em cerca de 17%, é inferior à de surtos anteriores — como o da estirpe Zaire, que atingiu 66% —, mas a inexistência de ferramentas farmacológicas para a variante Bundibugyo torna cada caso um desafio clínico.
Na perspetiva de Brasília, o agravamento do surto acende luzes na vigilância epidemiológica dos países lusófonos. Angola, que enfrentou uma falsa ameaça de ébola em 2014, mantém protocolos de controlo nas fronteiras com o Congo e integra a rede de monitorização do Africa CDC. Moçambique, igualmente próximo da região dos Grandes Lagos, acompanha a evolução com prudência, enquanto Portugal atualiza as orientações para viajantes oriundos da África Central. A experiência da epidemia de 2014-2016, que vitimou mais de 11 mil pessoas, demonstrou que a resposta tardia e a descoordenação internacional podem transformar um surto local numa emergência global.
Analistas em Maputo e Lisboa sublinham que a crise atual exemplifica os riscos de se negligenciar a interseção entre conflito armado e saúde pública. Sem estabilização da região, as campanhas de vacinação anelar — eficazes contra a estirpe Zaire — são inaplicáveis, e a dependência de doadores externos torna a resposta vulnerável à volatilidade política. Enquanto a comunidade internacional canaliza recursos, o espectro de uma propagação a países com sistemas de saúde frágeis, como o Burundi e o Sudão do Sul, mantém-se como um cenário plausível nas próximas semanas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
O surto de Ébola no leste da RD Congo já fez 101 mortos e ultrapassou 550 casos confirmados, segundo o último balanço oficial. O vizinho Uganda registou 19 casos confirmados e dois óbitos, levando a OMS a emitir um alerta.
O surto de Ébola continua a crescer, com grupos armados no Ituri a perturbar os esforços de resposta e a elevar para 101 o número de mortes confirmadas. Os parceiros internacionais estão a mobilizar-se: a UE atribuiu 17,5 milhões de euros ao África CDC, enquanto a OMS contabiliza mais de 500 casos. As autoridades de saúde alertam ainda que a estirpe Bundibugyo circulou sem ser detetada durante semanas antes da declaração oficial.
As agressões contra o pessoal de saúde e o ceticismo local enraizado estão a prejudicar seriamente a resposta ao Ébola no leste da RDC, onde o número de mortos já ultrapassou os 100. Os conflitos armados nas zonas sensíveis complicam ainda mais os esforços para conter um surto declarado em meados de maio. O balanço indica 550 casos, 101 mortes e apenas 19 recuperações.
O surto de Ébola Bundibugyo disparou para 608 casos e 102 mortes, mas os socorristas carecem de uma vacina aprovada, deixando a contenção dependente de um rastreamento de contactos incompleto. Apenas cerca de dois terços dos contactos estão a ser vigiados, enquanto a Suíça disponibilizou três milhões de francos para combater a crise. As autoridades receiam uma grande margem de subnotificação e acreditam que o vírus circulou despercebido antes do alerta oficial.
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