Descoberto no Índico o maior cemitério de baleias do mundo, com fósseis de 5,3 milhões de anos
Localizado na zona de fratura Diamantina, o sítio abissal reúne centenas de esqueletos e carcaças ativas, revelando um ecossistema único que se repete há milhões de anos.

Nas profundezas da Zona de Fratura Diamantina, no sudeste do Oceano Índico, uma equipa internacional de cientistas identificou o maior e mais profundo cemitério de baleias jamais documentado. O sítio, descrito esta semana na revista Nature, estende-se por cerca de 1.200 quilómetros a profundidades que chegam aos 7.000 metros, e contém mais de 470 jazidas fossilíferas, além de cinco carcaças ativas que ainda sustentam ecossistemas quimioautotróficos. Os fósseis mais antigos remontam a pelo menos 5,3 milhões de anos, sugerindo que cetáceos têm procurado esta região para morrer desde o Miocénico tardio.
A investigação foi liderada pelo Instituto de Ciência e Engenharia de Águas Profundas da Academia Chinesa de Ciências, em Sanya, com a participação de paleontólogos da Universidade de Pisa, em Itália, e de especialistas da Earth Science New Zealand. A descoberta, noticiada com espanto pela imprensa latino-americana e europeia, sublinha o valor da cooperação científica transnacional para desvendar os segredos das planícies abissais. Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, onde a investigação oceanográfica tem tradições consolidadas, o achado reforça a importância de se investir em missões de mar profundo, sobretudo num momento em que a Década das Nações Unidas de Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável procura mobilizar países lusófonos com vastas zonas costeiras, como Moçambique e Angola.
As chamadas 'quedas de baleia' representam eventos efémeros mas cruciais para a vida abissal: uma carcaça que afunda fornece energia e habitat para comunidades que podem persistir por décadas. A concentração excecional de restos na Diamantina permite, pela primeira vez, estudar a evolução desses ecossistemas ao longo de milhões de anos. Os investigadores acreditam que a topografia da zona de fratura, com correntes e sedimentação favoráveis, funcionou como uma armadilha natural para os corpos, preservando tanto ossadas modernas como fósseis antigos. Esta 'necrópole de baleias', como foi apelidada, oferece uma janela inédita para compreender a resiliência e a dinâmica das comunidades quimioautotróficas face às mudanças climáticas e geológicas.
O estudo agora publicado não só redefine os limites do conhecimento sobre a distribuição de cetáceos no passado, como também levanta novas questões sobre a conectividade genética das populações abissais e o papel das carcaças na fixação de carbono no oceano profundo. Observadores em Lisboa notam que a colaboração sino-italiana-neozelandesa pode servir de modelo para futuras expedições lusófonas no Atlântico Sul e no Índico, onde a Zona de Fratura de Diamantina se situa relativamente próxima de territórios como as ilhas de Madagáscar e as Maurícias, com as quais Moçambique partilha a bacia oceânica. A descoberta, portanto, transcende a paleontologia e convoca a comunidade internacional a olhar para o fundo do mar como um arquivo vivo da história da Terra.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Uma equipe internacional, com paleontólogos da Universidade de Pisa, descobriu o maior e mais profundo cemitério de baleias na Zona de Fratura Diamantina do Oceano Índico. O local contém carcaças recentes e fósseis de cetáceos com mais de 5 milhões de anos, oferecendo uma janela inédita para os ecossistemas abissais. O estudo, publicado na Nature, representa um avanço fundamental na compreensão da vida nas profundezas marinhas.
Uma equipe chinesa de pesquisa em águas profundas descobriu o sítio de fósseis de baleias mais profundo e extenso da Terra, revelando que as baleias vêm a este local do Oceano Índico para morrer há mais de 5 milhões de anos. A descoberta, publicada na Nature, destaca as crescentes capacidades da China na exploração abissal e oferece uma janela única para a evolução de longo prazo dos ecossistemas marinhos.
Uma descoberta que deixou os cientistas estupefatos: um enorme cemitério de baleias foi encontrado nas profundezas do Oceano Índico, com fósseis de até 5,3 milhões de anos. O local se estende por 1.200 quilômetros e fica a até 7.000 metros de profundidade, mostrando que os oceanos ainda guardam segredos capazes de surpreender até os especialistas.
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