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Congresso dos EUA barra tentativas de travar a guerra de Trump contra o Irão

Senado e Câmara rejeitaram resoluções que obrigariam o presidente a suspender operações militares sem aval legislativo. Republicanos mantêm-se maioritariamente alinhados, mas cresce o desconforto com a duração do conflito.

Geopolítica9 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:47

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão continua sem freio legislativo. Na quarta-feira, o Senado rejeitou pela quarta vez este ano uma resolução que retiraria ao presidente Donald Trump a autoridade para conduzir operações militares sem aprovação do Congresso. A votação, 47 a 52, repetiu o alinhamento partidário de março, com o republicano Rand Paul a votar com os democratas e o democrata John Fetterman a juntar-se aos republicanos. Horas depois, na Câmara dos Representantes, uma iniciativa semelhante fracassou por escassa margem: 213 a 214 votos, com um deputado a registar “presente”. A diferença de um único voto revela uma clivagem cada vez menos silenciosa no campo conservador.

A ofensiva legislativa dos democratas, que invocam a Lei de Poderes de Guerra de 1973, ganhou urgência à medida que o conflito se aproxima do limite de 60 dias sem autorização parlamentar. Líderes da minoria, como Chuck Schumer, prometem submeter o tema a votação semanalmente, forçando os republicanos a exporem-se perante um eleitorado inquieto com os custos económicos e o risco de uma escalada regional. Ainda que a maioria republicana tenha resistido até agora, fontes da imprensa norte-americana e russa notam que a paciência se esgota: senadores como John Thune, líder da maioria, já pediram publicamente um plano de saída, e analistas consultados pelo diário russo Lenta.ru antecipam que, até ao final de abril, o Congresso poderá finalmente limitar os poderes presidenciais, quando o impacto do bloqueio no estreito de Ormuz se repercutir de forma mais aguda nas economias ocidentais.

A dimensão estratégica do impasse foi sublinhada pelas ameaças vindas de Teerão. Um conselheiro do líder supremo Khamenei advertiu que os mísseis iranianos “afundarão as vossas navios” no estreito de Ormuz, ponto de passagem de um quinto do comércio mundial de petróleo. A paralisação ou o agravamento dos combates na via marítima são cenários que, na perspetiva de analistas em Brasília e Lisboa, teriam efeitos imediatos sobre o preço dos combustíveis e a estabilidade cambial em países lusófonos. O Brasil, grande exportador de crude, poderia beneficiar temporariamente da alta das cotações, mas sofreria com o encarecimento dos derivados importados; Portugal e as economias africanas de língua oficial portuguesa, fortemente dependentes da importação de energia, veriam agravar-se as pressões inflacionistas.

Observadores em Washington notam que a estratégia democrata de sucessivas votações não visa apenas constranger Trump, mas também criar um registo político para as eleições intercalares de 2026. Enquanto a Casa Branca insiste que a guerra terminará “em breve”, a ausência de uma via diplomática clara e o tom belicista de Teerão aumentam a ansiedade num Congresso que, por ora, prefere delegar a decisão no Executivo. O impasse legislativo expõe uma América dividida e um conflito sem horizonte definido, cujas ondas de choque atravessam o Atlântico.

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