Conflitos entre Estados batem recorde desde a Segunda Guerra, com 244 mil mortos em 2025
Institutos de investigação sueco e norueguês registaram o maior número de guerras interestatais em 80 anos, 65 conflitos armados e um aumento de ataques contra civis.

O ano de 2025 inscreveu‑se como um ponto de viragem sombrio na segurança global: nunca, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, se registaram tantos conflitos armados entre Estados. De acordo com os dados compilados pelo Programa de Dados sobre Conflitos de Uppsala (UCDP) e pelo Instituto de Investigação para a Paz de Oslo (PRIO), oito guerras interestatais marcaram o ano, o dobro do número observado em 2024 e o valor mais elevado desde 1946. Entre elas contam‑se a invasão russa da Ucrânia, as operações militares israelitas na Síria e no Irão, e confrontos fronteiriços que envolveram a Índia e o Paquistão, o Afeganistão e o Paquistão, e a Camboja e a Tailândia.
O saldo humano é igualmente devastador. Cerca de 244.600 pessoas perderam a vida em combates diretos ou em atos de violência contra civis, fazendo de 2025 o segundo ano mais letal desde o genocídio no Ruanda, em 1994, e o terceiro mais sangrento desde o fim da Guerra Fria. O teatro ucraniano concentrou a maior fatia da mortalidade: só o conflito com a Rússia vitimou 94.700 pessoas, um número que por si só supera o total de muitas guerras prolongadas da última década. Os relatórios sublinham ainda uma explosão de ataques dirigidos intencionalmente a não‑combatentes, tendência que a investigadora Siri Aas Rustad, do PRIO, resumiu com desalento: “Infelizmente, não há muito de positivo que possa extrair‑se disto. Habitualmente encontro sempre algo de positivo, mas este ano os números são chocantes.”
A degradação da ordem internacional ecoa de forma diferenciada nas regiões lusófonas. Em Brasília, diplomatas e analistas acompanham com apreensão a contaminação sistémica dos choques interestatais, que pressiona os preços da energia e dos alimentos e coloca em xeque a tradicional aposta brasileira na resolução pacífica de controvérsias. Para Portugal, observadores em Lisboa assinalam que o epicentro europeu da crise — a guerra na Ucrânia — reconfigurou a política de defesa da NATO e obrigou o país a rever a sua postura estratégica no flanco sul da Aliança. Já em África, a escalada global da violência contra civis encontra paralelos preocupantes na insurgência que assola Cabo Delgado, em Moçambique, onde o Estado combate grupos armados há mais de sete anos, num conflito que, embora não classificado como interestatal, partilha os mesmos padrões de brutalidade contra a população.
O cenário desenhado pelos institutos nórdicos aponta para a cristalização de uma nova era de violência elevada. A duplicação consecutiva das guerras entre Estados, a multiplicação de atores não‑estatais envolvidos e a erosão das normas de proteção de civis sugerem que o mundo se afasta dos mecanismos multilaterais de contenção que, ainda que imperfeitamente, limitaram as conflagrações durante a segunda metade do século XX. Sem sinais de apaziguamento nos principais teatros, a probabilidade de 2026 vir a superar os recordes sombrios do ano anterior tornou‑se, na leitura de vários centros de investigação, um risco concreto.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Os conflitos entre Estados atingiram em 2025 níveis nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial, com oito guerras ativas e quase 250 mil mortos. Os dados de Uppsala apontam para o ano mais letal desde o genocídio ruandês de 1994, assinalando um perigoso regresso ao confronto direto entre grandes potências.
O mundo instalou-se numa nova era de violência elevada: em 2025, o número de conflitos entre Estados atingiu um pico desde a Segunda Guerra Mundial e os ataques contra civis dispararam, com massacres como os de El Fasher. Os investigadores alertam que há pouco de positivo a retirar, traçando um quadro global sombrio e inédito.
Em 2025, o número de conflitos armados com pelo menos um governo envolvido atingiu um recorde de sessenta e cinco, o mais alto desde 1946. Oito guerras interestatais inflamaram, incluindo confrontos fronteiriços entre Índia e Paquistão, Afeganistão e Paquistão, Camboja e Tailândia, além da invasão russa da Ucrânia e das operações militares israelitas na Síria. A investigadora principal manifestou consternação com a tendência geral.
O último relatório do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo mostra que o mundo está no auge da tensão militar desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Foram registados sessenta e cinco conflitos ativos em 2025, o número de guerras interestatais duplicou e os ataques contra civis estão a aumentar. O estudo alerta para uma deterioração geral da segurança global, sem apontar nenhum ator específico.
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