Carney conquista maioria absoluta no Parlamento canadiano com vitórias em parciais
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, obteve maioria parlamentar ao vencer duas eleições parciais em Toronto, somando as conquistas a deserções da oposição. A nova configuração permite governar sem apoio externo até 2029.

O Partido Liberal do Canadá, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, alcançou na noite de segunda-feira a maioria absoluta no Parlamento, ao garantir a vitória em duas das três eleições parciais realizadas. Com os triunfos nos círculos eleitorais de University-Rosedale e Scarborough-Sud-Ouest, ambos na região de Toronto, os liberais passam a ocupar 173 dos 343 assentos da Câmara dos Comuns, um acima do limiar da maioria. Ainda por apurar está o escrutínio em Terrebonne, no Quebec, onde o Bloco Quebequense disputava palmo a palmo com os liberais, mas cujo resultado em nada altera a nova aritmética parlamentar.
A obtenção da maioria foi acelerada por um fenómeno que tem abalado a oposição conservadora: quatro deputados trocaram de bancada nos últimos meses, entre eles a conservadora Marilyn Gladu, numa vaga de deserções qualificada pelo ex-ministro Peter MacKay como um “golpe duro” para o Partido Conservador. Desde que assumiu o poder, há um ano, Carney governava em minoria, repetindo o cenário que marcara os executivos de Justin Trudeau desde 2019 e que exigia acordos pontuais com o Novo Partido Democrático para aprovar legislação. Agora, o primeiro-ministro dispõe de plena liberdade para executar a sua agenda sem depender de negociações partidárias.
Na perspetiva da imprensa quebequense e de língua francesa, a maioria absoluta dá a Carney “carta branca” para acelerar reformas económicas destinadas a blindar o Canadá das tensões comerciais com os Estados Unidos. Em Bruxelas e noutras capitais da NATO, os analistas sublinham que a estabilidade parlamentar permitirá a Otava reforçar a defesa e cumprir as metas de gasto militar, questões que geravam desconfiança entre os aliados. Para as diplomacias lusófonas, que acompanham com atenção os equilíbrios no G7, a consolidação de Carney sinaliza um parceiro transatlântico mais previsível num contexto de guerra comercial global, com potenciais reflexos nas economias do Brasil, de Portugal e dos PALOP.
A folga de calendário que a maioria oferece — as próximas legislativas gerais só estão previstas para outubro de 2029 — suscita, porém, interrogações sobre a legitimidade de um governo que não foi sufragado com maioria absoluta. A oposição denuncia a “compra” de deputados e promete usar o tempo até às urnas para criticar a deriva de um executivo que, na ótica conservadora, privilegia o poder em detrimento de valores. Carney terá de escolher entre consolidar uma plataforma reformista de largo espectro ou arriscar um pleito antecipado em busca de um mandato inequívoco.
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