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segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Berlim propõe adesão associada de Kiev à UE e reivindica liderança na NATO

Friedrich Merz propõe estatuto de membro associado para a Ucrânia, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros anuncia que a Alemanha está pronta para responsabilidades de liderança na NATO, num quadro de tensão transatlântica.

Geopolítica7 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 05:53

O gesto mais significativo partiu de Berlim: o chanceler Friedrich Merz enviou uma carta aos líderes da União Europeia propondo que se conceda à Ucrânia o estatuto de “membro associado”, sem direito de voto, como fórmula intercalar para ancorar Kiev ao bloco. Em simultâneo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, afirmou que a Alemanha está pronta para “assumir responsabilidades de liderança” na NATO. As duas declarações, reveladas num momento de fortes tensões com Washington — agravadas pela guerra no Irão e pelo impasse nas negociações lideradas pelos EUA — foram lidas como uma dupla manobra geopolítica.

A proposta de adesão associada, detalhada na missiva a que a Associated Press teve acesso, surgiu quando os 27 Estados-membros ponderam iniciar conversações próprias com Vladimir Putin, perante o bloqueio dos contactos trilaterais sob a égide americana. A atenção de Washington está concentrada no conflito iraniano, enquanto a Europa tenta não ser remetida para um papel secundário. Em Bruxelas, a iniciativa causou surpresa e perplexidade, pois pode colidir com os Tratados da UE e com o processo formal de alargamento, como notaram meios económicos italianos.

Do ponto de vista germânico, a solução intermédia evitaria que a Ucrânia ficasse num “desvio geopolítico”, argumentou a imprensa de Frankfurt, que defendeu que o que está em causa não é uma questão militar, mas uma disputa sobre as regras que vigoram no continente: as autoritárias de Putin ou as liberais e cooperativas do pós-guerra. A associação sem plenos direitos permitiria avançar sem os longos prazos de uma adesão plena, mantendo a Ucrânia vinculada aos valores europeus.

Para observadores em Lisboa, a ofensiva diplomática alemã sinaliza uma recomposição do eixo atlântico que pode acentuar o protagonismo europeu na segurança regional, mas também levanta receios de fragmentação no seio da Aliança. Em Brasília, o reposicionamento é acompanhado com interesse, pois reforça a narrativa de um mundo multipolar onde a liderança americana deixa de ser incontestada — ainda que o governo brasileiro mantenha a sua tradicional equidistância. Para os países africanos lusófonos, o redireccionamento da atenção ocidental para a Ucrânia e o Irão arrisca relegar crises como as de Moçambique ou da República Democrática do Congo para segundo plano.

A prazo, a manobra de Merz terá de equilibrar a pressa de Kiev e o cepticismo de Estados-membros que temem uma diluição das instituições comunitárias. A concretização de uma Europa da defesa mais autónoma dependerá da capacidade de Berlim de construir consensos e de demonstrar que a sua ambição não agrava a divisão transatlântica, mas antes reforça um pilar europeu dentro da NATO.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa russa e CSI · statoStampa europea continentale
Stampa russa e CSI/ statoscetticismopragmatismo

Russian press covers Merz's proposal with skepticism, highlighting that Ukraine would have no voting rights, effectively a second-class membership. They portray it as a symbolic gesture that does not change real power dynamics within the EU. The focus is on the limitations rather than the opportunity.

Stampa europea continentalepragmatismourgenza

Continental European press presents the proposal as a pragmatic, innovative solution to accelerate Ukraine's integration without full membership. They emphasize the urgency of the peace process and the need for creative steps. The tone is generally supportive, framing it as a 'light membership' that balances ambition with realism.

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