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Asa'ib Ahl al-Haq abandona a Hashd al-Shaabi e entrega armas ao Estado iraquiano

O grupo armado xiita liderado por Qais al-Khazali anunciou a dissolução do vínculo com a força paramilitar, a formação de uma comissão para inventariar o arsenal e a integração nas Forças Armadas, num momento em que Washington intensifica a pressão sobre Bagdade e a influência regional de Teerão se reconfigura.

Geopolítica5 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 03:42

O anúncio da milícia xiita Asa'ib Ahl al-Haq — que cortou na terça-feira os seus laços orgânicos com a Hashd al-Shaabi e decidiu colocar todo o seu armamento sob autoridade exclusiva do Estado iraquiano — representa a adesão mais significativa até agora ao programa do primeiro-ministro Ali al-Zaydi de monopolizar a força letal. Uma comissão central do movimento, liderado por Qais al-Khazali, figura sancionada por Washington e cuja organização é classificada como terrorista pelos EUA, ficará encarregada de recensear combatentes, elaborar um catálogo de armas e viaturas e concluir a desvinculação administrativa da poderosa estrutura paramilitar que integrava. A decisão foi saudada de imediato pelo presidente do Parlamento, Mohammed al-Halbousi, e insere-se num movimento mais amplo: semanas antes, as Saraya al-Salam do clérigo Moqtada al-Sadr já tinham dado passo semelhante, e fontes políticas iraquianas apontam setembro como o mês em que outras fações da chamada “resistência” deverão seguir o exemplo.

A relevância do gesto é ampliada pela conjuntura política e eleitoral. Nas últimas legislativas, o bloco ligado aos Asa'ib conquistou 27 dos 329 assentos, o que lhes deu uma musculatura negocial que agora convertem em capital de moderação. Observadores em Lisboa notam que a linguagem do comunicado — “restrição das armas à mão do Estado” e “vinculação ao comandante-em-chefe das Forças Armadas” — replica o léxico que Bagdade e as capitais do Golfo, incluindo Riade e Abu Dhabi, têm exigido para conter a influência armada de Teerão. Em declarações na província de Najaf, o líder da coligação Forças do Estado Nacional, Ammar al-Hakim, sublinhou que o programa governamental prevê um roteiro para encerrar este dossiê, confirmando que a pressão americana sobre o governo de Bagdade é um fator acelerador.

O reposicionamento dos Asa'ib ocorre num tabuleiro regional profundamente alterado desde a erupção da guerra em Gaza e, sobretudo, desde o conflito militar aberto entre os EUA/Israel e o Irão. A decisão foi comunicada no próprio dia em que, nos Emirados Árabes Unidos, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi, revelava que “muitas atividades nucleares do Irão foram suspensas” e que a avaliação do programa mudou por causa da guerra. Em Washington, o senador Marco Rubio reportava indícios de um papel acrescido de Mojtaba Khamenei depois de o líder supremo ter sido ferido, enquanto as negociações entre Líbano e Israel patinavam na exigência israelita de manter liberdade de ação militar contra o Hezbollah e na proposta americana de treinar o exército libanês para desarmar a milícia xiita.

A convergência destes sinais é lida por analistas em Brasília como indício de uma contração da arquitetura de proxies iranianas, com potenciais efeitos estabilizadores para os mercados petrolíferos e para a segurança das rotas marítimas que interessam diretamente ao comércio externo brasileiro e aos países africanos lusófonos importadores de crude. A grande interrogação, contudo, persiste: saber se a integração anunciada pelos Asa'ib é uma genuína submissão ao monopólio estatal ou apenas uma operação cosmética que preserva cadeias de comando paralelas. A existência de uma comissão de inventário oferece um primeiro teste concreto, enquanto os parceiros europeus de Bagdade, com Portugal atento através da participação na missão da NATO no Iraque, aguardam que a “restrição das armas” saia do papel e se torne irreversível.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa iraniana e affinipragmatismodistacco

The Shia group Asa'ib Ahl al-Haq, seen as a Tehran proxy, announced it will sever organizational ties with the Popular Mobilization Forces and hand over its weapons to the Iraqi state, in accordance with the state monopoly on arms policy. A central committee has been set up to oversee the implementation.

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Two Iraqi armed factions close to Iran, Asa'ib Ahl al-Haq and Kata'ib al-Imam Ali, placed the fate of their brigades under state authority amid US pressure on Baghdad to rein in militias. The step follows Asa'ib's electoral gains and Prime Minister Ali al-Zaydi's pledge to confine arms to the state.

Stampa del Golfo arabotrionfopragmatismo

Asa'ib Ahl al-Haq dissolved its ties with the Hashd al-Shaabi and placed its weapons under the Iraqi armed forces, a move praised by Sunni Parliament Speaker al-Halbousi. The decision follows a similar one by Saraya al-Salam and is seen as a step towards consolidating the state's monopoly on force.

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