Após Artemis II, tripulação descreve reentrada como salto de arranha-céus e reforça meta de pisar a Lua
Em Houston, os astronautas relataram a descida ‘gloriosa’, elogiaram o escudo térmico e viram na missão o caminho para uma alunagem tripulada em dois anos.

Na primeira conferência de imprensa após a amaragem no Pacífico, a tripulação da missão Artemis II descreveu sensações intensas. O piloto Victor Glover comparou a reentrada a um salto de costas de um arranha-céus — “durou cinco segundos e foi glorioso”, afirmou, segundo relatos da imprensa alemã. A astronauta Christina Koch, por sua vez, disse ter tido plena consciência de que estavam “numa bola de fogo”, enquanto o escudo térmico da cápsula Orion era submetido a temperaturas extremas, desempenho que os quatro elogiaram sem reservas, apesar de imagens divulgadas terem suscitado dúvidas nas redes sociais sobre a sua integridade.
A componente canadiana da missão também mereceu destaque. Jeremy Hansen, o primeiro astronauta não norte-americano a orbitar a Lua, sublinhou que a participação do Canadá comprova que o país “pode fazer coisas grandes” e que o feito resulta da visão de gerações anteriores. A televisão pública canadiana registou a sua convicção de que a missão deve inspirar os cidadãos a pensar em grande escala.
O comandante Reid Wiseman, citado pela rádio pública canadiana, realçou a cumplicidade forjada durante os dez dias de voo: “Começámos como amigos e terminámos como melhores amigos”. Esse vínculo, segundo a tripulação, ficou selado pelas imagens inéditas do lado oculto da Lua, em que Glover destacou o “terminador” — a fronteira entre o dia e a noite lunares — como a visão mais espetacular.
A missão bateu o recorde de maior distância da Terra alguma vez percorrida por seres humanos e, de acordo com a cobertura australiana, as imagens da equipa de resgate a abrir a escotilha e a saudar os astronautas com gritos de “trouxemo-vos” tornaram-se virais. A NASA considera que a Artemis II valida as ambições de uma alunagem tripulada no prazo de dois anos e a futura construção de uma base lunar.
Para os países lusófonos, a missão assume um significado adicional. O Brasil e Angola são signatários dos Acordos Artemis, o quadro de cooperação internacional liderado pelos EUA para a exploração da Lua. Observadores em Brasília e Luanda veem no sucesso da viagem um estímulo para os seus programas espaciais ainda emergentes, enquanto Portugal, membro da Agência Espacial Europeia, acompanha os avanços que podem abrir novos nichos de participação industrial. A Artemis II não foi apenas um regresso à vizinhança lunar; foi um ensaio que, na perspetiva de Lisboa, reforça a necessidade de investimento europeu em tecnologias de acesso ao espaço profundo.
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