Trump condiciona acordo com Irão à adesão aos Acordos de Abraão e ameaça Omã
Presidente americano diz não estar satisfeito com as negociações, exclui alívio de sanções por urânio e avisa que ‘ninguém controlará’ o Estreito de Ormuz. Para analistas, a pressão reflete a tentativa de reconfigurar alianças regionais.

Durante uma reunião de gabinete na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou a pressão sobre as negociações com o Irão, condicionando um eventual acordo de paz à expansão dos Acordos de Abraão. Trump afirmou não ter a certeza de que valha a pena fechar um entendimento se países como a Arábia Saudita, o Qatar e outros não normalizarem relações com Israel — «estes países devem-no a nós», declarou, conforme relatos da imprensa árabe e israelita [A1, A16]. A exigência surge num momento em que o diálogo EUA-Irão parece estagnado: o presidente reconheceu não estar satisfeito com as propostas de Teerão, mas acredita que os iranianos «querem muito um acordo» [A24]. A ameaça de retomar as hostilidades foi explícita: «ou chegamos a um acordo, ou teremos de terminar o trabalho», afirmou, aludindo à operação militar lançada em fevereiro [A13, A18].
A novidade que agitou as capitais foi a divulgação, pela televisão estatal iraniana, de uma alegada minuta de memorando que previa o controlo conjunto do Estreito de Ormuz pelo Irão e por Omã, a retirada das forças americanas e o levantamento do bloqueio a portos iranianos [A3, A21]. A Casa Branca classificou o documento como «invenção total» [A16], e Trump foi taxativo: «ninguém vai controlar o estreito, vamos vigiá-lo, mas não haverá controlo de ninguém» [A11, A20]. Ainda assim, ameaçou «fazer explodir» Omã se o sultanato tentasse assumir a gestão conjunta da via marítima [A4, A20]. Para observadores em Lisboa, a retórica inflamada sobre Omã, um tradicional mediador discreto, sinaliza que Washington quer reafirmar o domínio absoluto sobre a segurança marítima do Golfo, essencial ao trânsito de petróleo — do qual dependem economias lusófonas como a angolana e a brasileira.
Trump também excluiu qualquer alívio de sanções em troca da entrega do urânio enriquecido iraniano. «Sem alívio de sanções, não», disse, rejeitando ainda a possibilidade de o material ser enviado para a Rússia ou para a China [A6, A15, A31]. Descreveu o Irão como «negociando sobre vapores» [A13, A27], com uma economia em queda livre e inflação a 250%, e interpretou o restabelecimento parcial da internet no país como prova de desespero [A29]. Num lapso revelador, confundiu o Irão com a Venezuela ao referir-se à destruição das forças armadas iranianas [A4, A28]. Analistas brasileiros notam que a confusão sublinha a multiplicidade de crises que a administração gere simultaneamente — da América Latina ao Médio Oriente —, enquanto a insistência nos Acordos de Abraão visa consolidar um bloco antagónico a Teerão que sirva também aos interesses comerciais e diplomáticos de aliados europeus, como Portugal, no pós-guerra.
No plano interno, Trump negou qualquer preocupação com as eleições intercalares de novembro, afirmando que «o Irão não pode ter armas nucleares» e que as primárias republicanas da véspera mostraram o caminho [A22, A32]. A ligação entre o acordo nuclear e a normalização com Israel é vista por especialistas em Brasília como uma tentativa de redefinir o tabuleiro geopolítico, mas a falta de avanços concretos e a rejeição das propostas iranianas indicam que a janela diplomática se estreita. Enquanto as potências europeias observam com apreensão, os países lusófonos produtores de petróleo temem que uma escalada volte a perturbar os mercados globais. A incógnita, hoje, não é apenas se haverá acordo, mas se as condições impostas por Trump são negociáveis ou apenas o prelúdio de uma nova fase do conflito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Russian outlets portray Trump as erratic and confused, seizing on his threat to 'blow up' Oman and his mix-up between Iran and Venezuela. Coverage casts the negotiations as a deadlock where Washington is unhappy yet insists on maximalist demands, while Russia makes it clear it won't accept a transfer of Iranian enriched uranium.
Gulf headlines lead with Trump's conditioning of the Iran deal on Arab states joining the Abraham Accords, quoting that 'these countries owe us that.' His threat to 'blow up' Oman if it tries to control the Strait of Hormuz is framed as a stark ultimatum, while it is stressed that the waterway will stay open to all under US guardianship.
Israeli coverage pragmatically frames Trump's condition: no Iran deal unless Saudi Arabia and Qatar join the Abraham Accords. It notes Iran's collapsing economy and its forced negotiation from weakness, while stressing that Washington will not ease sanctions and dismisses Tehran's draft memorandum as a 'complete fabrication.'
Esta notícia apareceu em
31 veículos · 9 idiomas · janela de 24 horas