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Hegseth e Patel: os pilares da segurança americana em turbulência

Diretor do FBI ameaça processar revista por reportagem sobre pânico e consumo de álcool; secretário de Defesa confunde Bíblia com 'Pulp Fiction' e sofre pressão no Congresso.

Legislação5 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:19

Em poucas semanas, dois dos mais poderosos responsáveis pela segurança nacional dos EUA se tornaram alvo de escândalos que misturam comportamento errático, controvérsia ideológica e gafes constrangedoras. O diretor do FBI, Kash Patel, está no centro de uma reportagem que descreve episódios de consumo excessivo de álcool, ausências injustificadas e um ataque de pânico por não conseguir iniciar sessão no computador; ele agora ameaça processar a revista. Simultaneamente, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, enfrenta um movimento no Congresso pela sua destituição, depois de confundir um diálogo do filme “Pulp Fiction” com uma passagem bíblica. Em ambos os casos, a Casa Branca já procura substitutos, segundo a imprensa americana e europeia.

O caso Patel eclodiu a 10 de abril, quando uma falha de acesso a um sistema informático o levou a acreditar que tinha sido bloqueado e, logo, demitido pelo presidente. Conforme a revista The Atlantic, que cita nove fontes, o diretor telefonou freneticamente a auxiliares a anunciar a sua própria exoneração, num episódio que testemunhas descreveram como um “surto”. O artigo revela ainda que colegas se preocupam com o seu consumo de álcool e faltas repetidas, temendo que isso comprometa a capacidade de resposta a um ataque terrorista. Patel nega e anuncia ações judiciais. Na imprensa italiana, o incidente foi tratado como um caso de segurança nacional em si mesmo.

Hegseth, ex-âncora da Fox News e veterano do Afeganistão e do Iraque, é alvo de um projeto de isolamento no Congresso, segundo um diário libanês, que sublinha a tensão entre o seu perfil mediático e a responsabilidade soberana. A sua afirmação de que “diversidade e inclusão excessivas ameaçam a disciplina” foi lida como um programa de remodelação ideológica das Forças Armadas. O jornal italiano La Stampa acrescentou pormenores incómodos: as tatuagens “Deus Vult” (lema das cruzadas), “kafir” (infiel, em árabe) e a Cruz de Jerusalém, além da gafe em que Hegseth, tentando citar a Bíblia, recitou uma fala de “Pulp Fiction” — lapso que um crítico do seu livro antecipara ao classificá-lo como “mais um idiota com dinheiro para publicar disparates”.

Observadores em Lisboa notam que a instabilidade simultânea de dois chefes de organismos cruciais mina a confiança dos aliados, sobretudo na NATO, onde a fiabilidade do comando americano é basilar. Em Brasília, a situação gera apreensão pela cooperação estreita entre o FBI e a Polícia Federal em investigações transnacionais. Na perspetiva do Médio Oriente, o simbolismo de cruzada e o termo “kafir” soam alarmantes para governos de maioria muçulmana, com potenciais consequências diplomáticas.

A convergência dessas crises expõe um dilema da administração Trump: a escolha de perfis de lealdade com notoriedade mediática mas escasso freio institucional gera atritos recorrentes. À medida que o controle parlamentar avança e o jornalismo de investigação se aprofunda, Hegseth e Patel arriscam tornar-se peças descartáveis no esforço de estabilizar o aparelho de segurança. A credibilidade de duas das instituições mais emblemáticas dos Estados Unidos dependerá, nos próximos meses, de uma correção de rumo ou de uma aposta redobrada.

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