Entrar
Edição das 20:00 CETsexta-feira, 12 de junho de 2026
287 veículos · 16 idiomas251 briefing hoje
terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 06:00 CET

Juiz propõe julgar esposa de Sánchez por quatro crimes; premiê reage da China

Begoña Gómez é formalmente acusada de corrupção após dois anos de investigação. O anúncio, feito durante viagem oficial à China, coincidiu com declarações de Xi Jinping sobre o “lado certo da história”.

Legislação5 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:58

A mulher do primeiro-ministro espanhol, Begoña Gómez, foi formalmente acusada de peculato, tráfico de influências, corrupção nos negócios e apropriação indevida, informou um tribunal de Madrid na segunda-feira. O juiz Juan Carlos Peinado concluiu a investigação de dois anos e propôs que Gómez seja julgada por um júri popular, alegando que ela se aproveitou do “ascendente incomparável” de Pedro Sánchez para criar uma cátedra universitária, obter patrocínios empresariais e tentar apropriar-se de um software desenvolvido com meios públicos. A defesa nega as acusações e aponta para riscos de nulidade, pois o mesmo auto que remete o caso a julgamento solicita novas diligências.

A decisão judicial irrompeu enquanto Sánchez e a mulher cumpriam agenda oficial em Pequim, o que gerou “indignação” no Palácio da Moncloa. O chefe de governo reagiu com contenção: “O que peço à justiça é que faça justiça”, afirmou, reiterando a inocência da esposa e denunciando uma investida da direita contra a sua coligação. No Grande Salão do Povo, Xi Jinping ofereceu um contraponto diplomático ao situar a Espanha “do lado correto da história” e ao rejeitar o “regresso à lei da selva” – uma alusão às guerras comerciais e geopolíticas que marcam o momento. A sintonía entre os dois líderes, registada pela imprensa chinesa e europeia, serviu para sublinhar o isolamento momentâneo de Sánchez, que viajava com a mulher sob o peso da imputação.

O auto de Peinado reconstrói um círculo de elite: Gómez teria usado a assessora que a Moncloa lhe disponibiliza para articular a criação da cátedra na Universidade Complutense e convencer grandes empresas a financiá-la. A investigação, aberta em segredo em abril de 2024 e só depois tornada pública, foi criticada por defensores da legalidade por sucessivos “vaivéns” do magistrado, que chegou a inquirir sobre as mesmas provas repetidamente. Na perspetiva de analistas lisboetas, o caso ecoa as fragilidades de um governo minoritário que já enfrenta outros escândalos de corrupção envolvendo antigos aliados socialistas.

A imprensa internacional, da BBC ao South China Morning Post e à australiana ABC, deu amplo destaque ao processamento, sublinhando a pressão sobre o frágil equilíbrio parlamentar espanhol. Em Brasília, observadores notam que a judicialização de figuras políticas de primeiro escalão – frequente na América Latina – encontra paralelo neste capítulo europeu, o que alimenta um debate sobre os limites do escrutínio judicial em democracias consolidadas. O caso, longe de se esgotar, deverá arrastar-se por meses, com potenciais implicações para as negociações orçamentais em Madrid e para a imagem externa de Sánchez, que tenta projetar-se como mediador entre blocos enquanto administra a crise em casa.

Esta notícia apareceu em

5 veículos · 2 idiomas · janela de 24 horas

Australian Broadcasting Corporation (ABC)
South China Morning Post (SCMP)
El País
BBC News
El Mundo